Associação brasileira do setor projeta incremento para até R$ 10 bi nos próximos anos. Além disso, Embrapa afirma que, no ano passado, o uso de bioinsumos retirou do ar poluição equivalente a 60 milhões de carrosO mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$ 7 bilhões, em 2025, (considerando categorias como biocontrole, bioinoculantes, mobilizadores de nutrientes e biofertilizantes) e pode chegar próximo de R$ 10 bilhões até 2030, o que representaria um crescimento de aproximadamente 46%, segundo dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii-Bio).
Além disso, o uso crescente de bioinsumos no Brasil gerou economia de US$ 28 bilhões e redução de 280 milhões de toneladas de CO² na atmosfera no ano passado, segundo cálculos da Embrapa.
Esses dados foram apresentados no início da XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), nesta quarta (19/8) e que segue até o dia 20, no Centro de Eventos Sistema FIEP, em Curitiba (PR).
O encontro tem o objetivo de debater o uso de microrganismos benéficos na agricultura, os protocolos de análise de qualidade e de validação de novos produtos, os desafios de mercado e de legislação. A Relare congrega cerca de 250 participantes, entre cientistas, comunidade acadêmica, órgãos de fiscalização e representantes da indústria. A Embrapa também está presente.
Na visão da pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, a Relare tem sido fundamental para consolidar o uso de inoculantes no Brasil, com destaque para a elaboração dos protocolos de campo utilizados pelo Ministério da Agricultura em processos de registro de inoculantes, além da contribuição para a integração entre pesquisa, indústria e órgãos reguladores. Para ela, o País construiu uma posição de liderança mundial no uso dessas tecnologias.
O Brasil construiu uma posição de liderança no uso dessas tecnologias
A história teve entre seus marcos o desenvolvimento da fixação biológica de nitrogênio na soja, a partir das pesquisas realizadas desde as décadas entre 1930 e 1960, e a seleção de estirpes-elite que posteriormente passaram a integrar inoculantes comerciais utilizados na cultura. “Com a expansão da soja para o Cerrado, pesquisadores brasileiros também adaptaram e aprimoraram microrganismos para as novas condições de solo e clima, demonstrando a importância da pesquisa e da inovação para ampliar o uso de soluções biológicas na agricultura”, avalia Mariangela.
Logotipo do programa nacional de bioinsumos. Fonte: Embrapa
Outros culturas de alta demanda nutricional – como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens – passaram a empregar com mais intensidade os bioinsumos como alternativa para reduzir custos, aumentar a eficiência de uso de nutrientes, e melhorar a eficiência produtiva. No caso da soja, o uso de bactérias capazes de realizar a Fixação Biológica do Nitrogênio dispensa totalmente o uso de fertilizantes nitrogenados químicos. Cerca 85% da área de soja no Brasil adota a tecnologia a cada safra.
40 milhões de doses anuais e mais produtividade
A pesquisadora explica que, mesmo em áreas onde as bactérias já estão presentes naturalmente no solo, recomendamos a aplicação anual dos inoculantes, já que este bioinsumo pode gerar ganhos médios de produtividade da ordem de 8% e 16% na soja.
Essa substituição gerou uma economia aproximada de U$ 28 bilhões ao Brasil, na última safra. Em termos ambientais, foi evitada a emissão de cerca de 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente— o que equivale a retirar das ruas 60 milhões de carros de passeio de circulação por um ano”, calcula Mariangela.
O uso de inoculantes para gramíneas já ultrapassa 40 milhões de doses comercializadas anualmente. Embora não substituam totalmente os fertilizantes nitrogenados no milho, podem aumentar a eficiência do aproveitamento dos nutrientes e, em determinadas condições, permitem reduzir em até 25% a adubação nitrogenada de cobertura”, explica.
Esforço conjunto – Na abertura do evento, a chefe de Transferência de Tecnologias da Embrapa Soja, Carina Rufino, reforçou o papel da Relare como um fórum necessário e atual, principalmente em ambiente de inovação que mudou nos últimos anos. “Nosso mercado de bioinsumos amadureceu e segue passando por importantes transformações. “Por isso, a Relare não é apenas para compartilhamento de conhecimentos, mas também para estabelecer novas conexões e acelerar o ciclo de inovação: o debate nos desafia a melhorar os argumentos e a olhar sob novas perspectivas”, aponta Carina.A programação técnica da Relare foi estruturada para abordar os temas mais urgentes e estratégicos do setor, explica o pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja, presidente da XXII Relare. “Debateremos temas como regulamentação, metodologias de análise, além de controle de qualidade, ensaios interlaboratoriais e padronização de biosumos. Abordaremos também as tendências de mercado, proteção intelectual, novos ativos para biocontrole e a segurança sanitária na regulamentação de bioinsumos. Trata-se de uma oportunidade única para alinharmos a pesquisa às demandas reais de campo, de mercado e da regulação”, detalha Nogueira.Amália Borsari, diretora da CropLife, afirma que egulamentação de bioinsumos no Brasil precisa acompanhar os avanços científicos e estabelecer critérios de análise de risco adequados e proporcionais para diferentes microrganismos, considerando as particularidades entre espécies e cepas e suas aplicações no controle de pragas e doenças e na promoção do crescimento das plantas.
“O País já avançou nos procedimentos regulatórios para produtos de controle biológico e inoculantes, mas o tema segue em evolução e exige alinhamento com as discussões internacionais. Nesse cenário, ganham importância aspectos como rastreabilidade, identidade, qualidade, segurança e transparência, além de iniciativas voltadas à internacionalização dos bioinsumos brasileiros e à conexão das empresas nacionais com outros mercados”, avalia Amália.
Ganham importância aspectos como rastreabilidade, identidade, qualidade, segurança e transparência, além de iniciativas voltadas à internacionalização dos bioinsumos brasileiros”
Exemplo do Paraná – Márcio Spinosa, diretor da Fundação Araucária, detalha que a agenda de bioinsumos tem importância estratégica para o Paraná e que busca avançar em toda a cadeia de conhecimento, desde a pesquisa até a transformação dos resultados científicos em produtos, serviços e riqueza. “Buscamos fortalecer a integração dos ecossistemas de ciência, tecnologia e inovação do Paraná com países próximos ampliando o alcance das pesquisas e contribuindo para a geração de riqueza e desenvolvimento social”, ressalta.A Relare é promovida pela Embrapa, em parceria com a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio) e com a CropLife Brasil, e com o apoio dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT MicroAgro) e da Fundação Araucária.
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