Durante evento que marcou o retorno das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), o presidente reforçou a necessidade de ampliar a produção nacional. Obras integram o Novo PAC, com recursos de R$ 5 bilhões
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), nesta quinta-feira (25/6). O empreendimento da Petrobras é considerado estratégico para ampliar a produção nacional de fertilizantes, fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência externa do país. As obras receberão investimento de mais de R$ 5 bilhões do Novo PAC.
Em seu discurso, o presidente Lula afirmou que a produção nacional de fertilizantes é estratégica para fortalecer a soberania do país. “Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”, ressaltou.
Ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos. Um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”
Paralisada desde 2015, a UFN-III teve sua retomada confirmada pela Petrobras após nova reavaliação técnica e econômica que atestou a viabilidade do projeto e sua aderência ao Plano de Negócios 2026-2030 da companhia. “Pode ficar certo: esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes de outro país. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer”, completou o presidente.
EMPREGOS – As obras devem gerar aproximadamente 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos, além de impulsionar a economia regional por meio da contratação de fornecedores e da movimentação dos setores de serviços, transporte, hospedagem, alimentação e comércio.
“Um país que é o segundo maior produtor de alimento do mundo, um país que tem tudo para ser o celeiro do mundo de verdade, porque pouco lugar do mundo tem condições de competitividade e de produtividade que nós temos, por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica dessa parada?”, questionou Lula.
Investir em produção de fertilizantes é investir na soberania alimentar do Brasil. A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS), fortalece nosso agronegócio e a agricultura familiar, e reduz a dependência brasileira por fertilizantes… pic.twitter.com/h4U1JGGHRl
— Lula (@LulaOficial) June 25, 2026
Três Lagoas já possui forte vocação industrial e logística, perfil que será reforçado com a instalação de uma das maiores unidades da indústria química e de fertilizantes do país.
A cerimônia marcou a mobilização do empreendimento e a assinatura dos principais contratos para a conclusão da planta, consolidando a retomada de um projeto 100% Petrobras. O presidente Lula defendeu a atuação da instituição em áreas que vão além da exploração de petróleo, como fertilizantes, indústria naval e transição energética. “A Petrobras é uma empresa que tem um papel fundamental na famosa transição energética que esse país está passando. É muito importante para o Brasil e para o mundo”, destacou.
CAPACIDADE — A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a retomada da UFN III simboliza a reconstrução da capacidade produtiva e da engenharia brasileira. “Quando a gente fala em retomada da UFN III, o que estamos falando, dentre outras coisas, é que a gente acredita no Brasil, a gente acredita na Petrobras e a gente acredita na tecnologia e na engenharia brasileira”, disse.
LOGÍSTICA – A localização da fábrica é considerada estratégica. O Centro-Oeste responde por cerca de 40% da demanda brasileira de ureia, impulsionada principalmente pelas culturas de milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens. A proximidade da unidade com importantes polos produtores agrícolas deve ampliar a confiabilidade do abastecimento e reduzir custos logísticos para produtores rurais, especialmente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
“Isso é emprego na veia, isso é fertilizante para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, São Paulo, região que concentra 40% da demanda brasileira de ureia”, acrescentou Magda Chambriard.
PRODUÇÃO – Quando entrar em operação comercial, prevista para 2029, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas diárias de amônia, totalizando cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano — volume equivalente a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo.
NOVO PAC — Miriam Belchior, ministra da Casa Civil, ressaltou que a retomada da fábrica de fertilizantes faz parte do Novo PAC. “Essa é uma obra do Novo PAC. Para que serve o Novo PAC? Para aumentar o investimento em infraestrutura do país. É importante porque gera emprego, gera crescimento no país, é bom para todo mundo, reúne o setor público, reúne o setor privado, as nossas estatais”, afirmou.
A ministra também mencionou os investimentos federais no município, com recursos para obras de mobilidade, saúde, drenagem urbana e habitação. “Isso que é o PAC: lida com a grande infraestrutura nacional, mas também com a infraestrutura das cidades”, disse.
MERCADO NACIONAL – A retomada da UFN-III integra uma estratégia mais ampla do Governo do Brasil e da Petrobras para reconstruir a capacidade nacional de produção de fertilizantes nitrogenados. A carteira de fertilizantes da Petrobras no Novo PAC reúne quatro unidades: Fafen-BA, Fafen-SE, ANSA e UFN-III. Com a entrada em operação dessas plantas, a estatal projeta atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029. Antes da retomada das fábricas, 100% da ureia consumida no país era importada.
O fortalecimento da produção nacional de fertilizantes busca reduzir a vulnerabilidade externa do Brasil diante de crises internacionais e interrupções nas cadeias globais de suprimentos. A guerra na Ucrânia, por exemplo, evidenciou os riscos da dependência externa ao afetar a oferta global de insumos e pressionar os preços internacionais dos fertilizantes. Nesse contexto, a retomada da UFN-III representa um passo importante para ampliar a segurança alimentar, fortalecer o agronegócio e promover a recomposição da indústria nacional.
DESENVOLVIMENTO — O prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, destacou a importância das obras para o desenvolvimento local e agradeceu o trabalho das equipes responsáveis pela preservação da estrutura. “É muito importante receber toda essa comitiva, junto com todos os nossos colegas que trabalham na Petrobras mantendo essa UFN III, que realmente tem sido bem cuidada nesse período, para que hoje a gente consiga estar retomando todo esse processo da obra. É muito importante para o nosso município”, disse o prefeito.
POLO INDUSTRIAL — A ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, atribuiu ao apoio do Governo do Brasil parte dos investimentos que consolidaram Três Lagoas como polo industrial. “Três Lagoas hoje é uma referência mundial”, disse Tebet. “Nós estamos falando da maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina”, completou, ao contar a história do início da UFN III no município.