Somente os parques nacionais somaram 13,6 milhões de visitas — acima dos 12,5 milhões registrados no ano anterior. Cenário evidencia o crescente interesse das pessoas em estar em contato com a natureza
As Unidades de Conservação (UCs) brasileiras bateram recorde de visitação em 2025, com 28,5 milhões de visitas registradas, consolidando as áreas protegidas como destinos estratégicos para o turismo e o desenvolvimento do país. O número reforça uma tendência de crescimento observada desde o início do monitoramento, em 2000, interrompida apenas durante o período mais crítico da pandemia da Covid-19, entre 2020 e 2021. O cenário evidencia a força da biodiversidade brasileira como atrativo turístico e o crescente interesse da população por experiências em contato com a natureza.
De acordo com o levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as unidades mais visitadas contemplam atrativos naturais diversos, como rios, cachoeiras, montanhas, praias e paisagens exuberantes. Lideram a lista a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (SC), o Parque Nacional da Tijuca (RJ), o Parque Nacional do Iguaçu (PR), o Parque Nacional de Jericoacoara (CE) e o Monumento Natural do Rio São Francisco (AL/SE/BA).
O levantamento mostra que o interesse não se restringe a algumas áreas, levando visitantes a todas as regiões do Brasil. Foram 175 unidades de conservação monitoradas, em todos os biomas. A Mata Atlântica lidera a visitação, com 20,1 milhões de visitas registradas em 2025. Em seguida aparecem a Caatinga, com 3,6 milhões, o Cerrado, com 1,6 milhão, o Pampa, com 11,8 mil, e o Pantanal, com 363 visitas. Já as unidades localizadas no sistema costeiro concentraram 2,6 milhões de visitas ao longo do ano.
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Riqueza natural, turismo em alta: o papel das UCs no Brasil
A busca por mais qualidade de vida, saúde e bem-estar tem levado cada vez mais pessoas às unidades de conservação. Entre as atividades mais comuns estão caminhadas, trilhas, ciclismo, montanhismo, banho de mar e de cachoeira, contemplação de mirantes e grutas, além da observação de aves e da vida silvestre. As unidades também apresentam potencial para ampliar experiências voltadas à educação e interpretação ambiental, acompanhamento de pesquisas científicas e vivências em comunidades locais e tradicionais.
Na Amazônia, por exemplo, o Parque Nacional do Viruá (RR) abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e apresenta paisagens semelhantes às do Pantanal.
Já no Cerrado, o Parque Nacional da Emas (GO) reúne diferentes formações do bioma, como campos limpos, campos sujos, veredas e matas ciliares. O parque se destaca pela observação de espécies típicas do bioma, como o tamanduá-bandeira, o cachorro-do-mato, a ema — ave que dá nome ao parque— e o veado-campeiro. A unidade também protege rios importantes para grandes bacias hidrográficas brasileiras, como os rios Taquari, Araguaia, Formoso e Jacuba.
Na Caatinga, o Parque Nacional do Catimbau (PE) reúne o segundo maior sítio arqueológico do Brasil, com cânions e registros de pinturas rupestres. No Pampa, destaca-se a Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã (RS), enquanto, no Pantanal, o principal destaque é o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense (MT).
Além dos parques nacionais, outras categorias de unidades de conservação também têm atraído visitantes e movimentado economias locais, como Reservas Extrativistas (Resex), Reservas Biológicas (Rebio), Florestas Nacionais (Flona) e Monumentos Naturais (Mona). Em 2025, os parques nacionais movimentaram R$ 21,6 bilhões em vendas e contribuíram para a geração de 219,6 mil empregos. Já as reservas extrativistas, reconhecidas pelo turismo de base comunitária, registraram a maior arrecadação tributária por visita, com média de R$ 116,60, gerando impacto direto nas receitas municipais.
Os dados foram apresentados no 10º Salão do Turismo, realizado no mês de maio, em Fortaleza, no painel “Contribuições do turismo em Unidades de Conservação para a Economia Brasileira”, mostrando que esse avanço não só reforça o papel das unidades de conservação como espaços de lazer e educação ambiental, mas também aponta caminhos para o desenvolvimento sustentável do turismo brasileiro.
Serviços de hospedagem, alimentação, transporte, pacotes turísticos, produtos da sociobiodiversidade e comércio varejista estão entre os setores beneficiados pela atividade turística. O resultado é a geração de emprego e renda tanto para as comunidades do entorno quanto para toda a cadeia do turismo, com reflexos na economia nacional.