As pré-campanhas dos principais nomes na disputa pela Presidência da República adotam estratégias diferentes sobre o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026. Enquanto alguns grupos pretendem limitar a tecnologia a funções de apoio e ilustração, outros já utilizam conteúdos gerados por IA para ampliar o alcance e diversificar a comunicação nas redes sociais.
Segundo reportagem de Júlia Zaremba, Giovanna Bronze e Júlia Vieira, da GloboNews e do g1, as equipes dos pré-candidatos avaliam vantagens como redução de custos, rapidez na produção e facilidade de acesso às ferramentas. Em sentido contrário, estrategistas apontam o risco de conteúdos artificiais ampliarem a distância entre candidatos e eleitores.
O presidente Lula da Silva (PT) pretende utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, sem substituir sua imagem em gravações ou criar versões fictícias do candidato.
“Nas redes ou na TV, será sempre o Lula de verdade, falando de verdade”, afirmou Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do partido.
Em maio, durante evento na Bahia, Lula também criticou a possibilidade de utilizar uma versão artificial de si próprio para participar de atos políticos simultaneamente em diferentes estados.
“Um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará IA para fazer campanha política, porque, se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos dele, para saber quem está mentindo”, declarou.
Flávio Bolsonaro já aposta em vídeos com IA
Em estratégia diferente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já utilizou inteligência artificial em vídeos publicados nas redes sociais. Em um dos conteúdos, o pré-candidato à Presidência aparece como piloto de um caça em uma representação de combate a facções criminosas.
Segundo um aliado do senador ouvido pela reportagem, a pré-campanha pretende utilizar os recursos permitidos pela legislação. A avaliação interna é que os vídeos produzidos com IA podem gerar engajamento, embora não necessariamente apresentem desempenho superior a outros formatos.
Os conteúdos também são publicados ao lado de vídeos convencionais de agendas, discursos e eventos políticos.
O PT, por sua vez, tenta estabelecer um contraste com a estratégia do principal adversário. A legenda afirma que o problema não está na tecnologia em si, mas em seu eventual uso para manipular informações ou criar situações fictícias.
Zema também deve investir na tecnologia
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também deve manter o uso de inteligência artificial na comunicação eleitoral. A avaliação de sua equipe é que a tecnologia oferece ferramentas de produção simples, acessíveis e de menor custo.
Zema já utilizou recursos digitais em conteúdos com estética de animação para abordar temas políticos, entre eles críticas a privilégios de autoridades.
Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) deve adotar uma estratégia mais restritiva. Segundo um integrante de sua pré-campanha, a orientação é utilizar a tecnologia de forma limitada, principalmente para apresentar ou ilustrar projetos.
A pré-campanha de Renan Santos (Missão) segue linha semelhante. De acordo com a vereadora Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha, a intenção é recorrer à IA apenas quando a ferramenta puder ajudar na apresentação visual de propostas, como projetos de reurbanização de comunidades.
TSE estabelece regras para inteligência artificial
O Tribunal Superior Eleitoral, TSE, atualizou as normas sobre o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026. Conteúdos sintéticos utilizados na propaganda eleitoral devem informar de maneira explícita, destacada e acessível que foram produzidos ou manipulados por IA, além de identificar a tecnologia empregada.
As regras também proíbem a publicação, republicação e o impulsionamento de novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao encerramento da votação, mesmo quando o material estiver devidamente identificado. O descumprimento pode levar à remoção imediata do conteúdo.
Com a campanha eleitoral se aproximando, a inteligência artificial surge como uma das principais novidades da disputa presidencial de 2026. A forma como cada pré-candidatura pretende utilizar a tecnologia já estabelece diferenças nas estratégias de comunicação e deverá ampliar o debate sobre autenticidade, transparência e limites da propaganda política digital.
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