Por que Flávio Bolsonaro não ataca Lula no caso Lulinha/Marcola?

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) definiu segurança pública e custo de vida como os principais eixos do discurso eleitoral neste início da disputa presidencial. Embora o caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, seja usado para criticar o governo, o tema não aparece como prioridade central da estratégia do candidato.

A informação foi publicada pela revista Veja e ocorre em meio ao início oficial da campanha eleitoral. O objetivo, segundo relatos atribuídos a integrantes da campanha, é concentrar o discurso no que pesquisas internas apontariam como algumas das principais preocupações do eleitorado, especialmente segurança, inflação, custo de vida e endividamento.

Segurança e economia são prioridades

A estratégia eleitoral busca apresentar a disputa como uma avaliação do governo Lula e de seus resultados na economia e na segurança pública. A orientação, segundo a reportagem que serviu de base para a informação, é discutir o desempenho da atual administração e o que a campanha considera promessas não cumpridas.

A segurança pública também ganhou espaço no discurso de Flávio desde o lançamento oficial de sua candidatura, em 16 de agosto. Na ocasião, ele defendeu medidas mais duras contra organizações criminosas e classificou o combate ao crime como um dos principais eixos de sua campanha.

Caso Lulinha fica com aliados

Apesar de não estar no centro da estratégia do candidato, as investigações envolvendo Lulinha e Marcola continuam sendo utilizadas por aliados e parlamentares ligados à campanha.

A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice-presidente reforçou essa frente. Ex-relator da CPMI do INSS, Gaspar afirmou à CNN que Lulinha, Marcola e as fraudes no INSS estarão entre os temas abordados durante a campanha.

A escolha do vice também foi interpretada como uma forma de ampliar o discurso sobre combate à corrupção e defesa dos aposentados, além de reforçar a pauta de segurança pública.

Investigações aumentam pressão sobre Lula

As investigações envolvendo Lulinha ganharam espaço no debate eleitoral após a Polícia Federal analisar mensagens e movimentações relacionadas à lobista Roberta Luchsinger e a negócios envolvendo medicamentos à base de canabidiol no Ministério da Saúde.

O caso também envolve Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que aparece nas investigações em razão de contatos com Luchsinger e de uma transferência financeira feita pela empresária. O episódio passou a ser explorado politicamente pela oposição durante a campanha.

A estratégia, porém, não significa que o assunto tenha sido retirado da campanha. Segundo informações divulgadas nos bastidores, a intenção é deixar os ataques mais diretos sobre Lulinha e Marcola para o vice, parlamentares e influenciadores aliados, enquanto Flávio concentra sua exposição nas propostas e nos temas considerados prioritários para o eleitorado.

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