Os juros mais baixos continuam sendo o principal atrativo dos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) para a indústria brasileira. É o que revela uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (15) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), indicando que 94% das empresas que contrataram crédito entre 2022 e 2025 escolheram essas linhas de financiamento pelo custo reduzido.
O levantamento também mostra que, apesar das condições mais vantajosas em relação ao mercado tradicional, 38,1% das indústrias ainda desconhecem a existência dos fundos, enquanto a burocracia e as exigências de garantias permanecem entre os principais obstáculos para ampliar o acesso aos recursos.
Juros baixos impulsionam procura
De acordo com a pesquisa, os Fundos Constitucionais de Financiamento oferecem condições mais competitivas do que as linhas tradicionais de crédito, especialmente para empresas localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Além dos juros reduzidos, 56% das indústrias afirmaram que os prazos de pagamento e de carência influenciaram a contratação dos financiamentos. Outros 24% destacaram o relacionamento já existente com os bancos operadores como fator decisivo.
Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias, os resultados demonstram que a política pública tem conseguido reduzir um dos principais entraves ao crédito no país, embora ainda exista espaço para tornar as linhas destinadas à indústria mais competitivas.
Burocracia ainda dificulta acesso
O estudo aponta que o desconhecimento sobre os fundos constitucionais continua elevado entre o setor industrial.
Entre as empresas que conhecem a política pública, mas optaram por não solicitar financiamento, 38,5% afirmaram que desistiram devido à burocracia ou à demora na análise dos pedidos.
Já entre aquelas que buscaram os recursos, 38% consideraram excessivas as garantias exigidas pelas instituições financeiras responsáveis pela operação das linhas de crédito.
Recursos financiam expansão e modernização
A pesquisa mostra que os financiamentos têm sido utilizados principalmente para investimentos de longo prazo.
A compra de máquinas e equipamentos respondeu por 56% das operações contratadas. Outros 22% dos recursos foram destinados à ampliação ou modernização de fábricas e armazéns.
Apenas 18% das empresas utilizaram os financiamentos exclusivamente para capital de giro.
Os resultados também indicam elevado grau de efetividade da política pública. Para 88,6% das empresas beneficiadas, os recursos contribuíram para ampliar a capacidade produtiva, modernizar processos industriais e gerar empregos.
Somente 5,4% afirmaram que utilizaram o crédito prioritariamente para recuperação financeira.
Maioria das empresas aprova os fundos
Entre os entrevistados, 52% conseguiram contratar exatamente o valor de crédito de que necessitavam.
O percentual de empresas que não obtiveram aprovação do financiamento ficou em 10%, índice inferior ao observado em outras modalidades de crédito empresarial.
A satisfação também foi predominante. Segundo o levantamento, 68% das empresas avaliaram positivamente os Fundos Constitucionais de Financiamento.
As taxas de juros reduzidas foram apontadas como principal motivo de satisfação por 56,3% dos entrevistados, enquanto 40,6% destacaram a qualidade do atendimento.
Entre os 24% que manifestaram insatisfação, metade atribuiu a avaliação negativa ao atendimento e aos prazos de carência.
Como foi realizada a pesquisa
O levantamento foi elaborado pela Confederação Nacional da Indústria em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Foram ouvidas 147 empresas industriais entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. A pesquisa analisou operações de crédito contratadas nos três anos anteriores e integra um acordo de cooperação entre as duas instituições para ampliar a participação da indústria nos Fundos Constitucionais de Financiamento.
Pesquisa em números
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Empresas que buscaram os fundos pelos juros baixos | 94% |
| Empresas que citaram prazos de pagamento e carência | 56% |
| Empresas que destacaram relacionamento com o banco | 24% |
| Indústrias que desconhecem os fundos | 38,1% |
| Empresas que desistiram por burocracia | 38,5% |
| Empresas que consideram excessivas as garantias | 38% |
| Recursos destinados à compra de máquinas | 56% |
| Recursos para ampliação e modernização | 22% |
| Crédito destinado apenas ao capital de giro | 18% |
| Empresas que avaliaram impacto positivo | 88,6% |
| Empresas satisfeitas com os fundos | 68% |
| Empresas entrevistadas | 147 |
| Período da pesquisa | Outubro de 2025 a janeiro de 2026 |
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação