O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), demonstrou surpresa com o resultado das eleições para o Senado e com a perspectiva de uma nova composição mais favorável ao impeachment de integrantes da Corte a partir de 2027. A informação foi publicada pela jornalista Bela Megale, em sua coluna no jornal O Globo.
Segundo a colunista, Moraes comentou com interlocutores do meio jurídico que houve uma “reversão” do cenário que imaginava para o Senado. O ministro esperava que candidatos de centro tivessem maior presença na Casa e que não se formasse uma maioria disposta a avançar contra integrantes do Supremo.
A avaliação também estaria relacionada às conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que, segundo o relato, considerava improvável a formação de uma maioria contrária ao STF. Moraes também contava com a possibilidade de Alcolumbre permanecer no comando da Casa, o que poderia dificultar o avanço dos pedidos de impeachment, cuja tramitação depende de decisões da presidência do Senado.
A nova composição, prevista para assumir em fevereiro, deve ampliar a pressão política sobre o Supremo. Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo identificou ao menos 49 senadores favoráveis ao impeachment de ministros, número inferior aos 54 votos necessários para aprovar o afastamento.
Nesse cenário, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e pré-candidato a presidente do Senado, tem sinalizado a ministros do STF que há disposição para manter o diálogo institucional, mas que a pauta do impeachment de Alexandre de Moraes não será abandonada. Marinho também defendeu mudanças no regimento do Senado para permitir o andamento de pedidos com apoio de 49 parlamentares.
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