O ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT-SP), afirmou nesta quarta-feira que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deveria considerar deixar a liderança do governo no Senado para se dedicar à própria defesa diante das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
A declaração ocorre em meio à crescente pressão política sobre a permanência do senador em um dos cargos mais estratégicos da articulação do governo federal no Congresso Nacional.
Durante evento de divulgação da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), em Brasília, Marinho destacou que sua avaliação é pessoal, mas afirmou que optaria pela substituição de Wagner na liderança governista.
Segundo o ministro, em determinadas circunstâncias, um agente político pode ter mais condições de enfrentar questionamentos e apresentar sua defesa fora de uma função de grande exposição institucional.
Governo separa cargo político de investigação
Apesar de defender a saída do senador da liderança, Marinho ressaltou que a discussão sobre sua permanência no posto deve ser tratada de forma independente das investigações conduzidas pelas autoridades.
O ministro afirmou que mantém confiança em Jaques Wagner e recordou episódios anteriores em que o senador foi alvo de apurações que, segundo ele, não resultaram em comprovação de irregularidades.
Marinho também declarou ter manifestado solidariedade ao parlamentar após a operação realizada pela Polícia Federal na semana passada.
Haddad é citado em defesa de Wagner
Durante a entrevista, o ministro mencionou declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), sobre as acusações de que Wagner teria atuado em favor do Banco Master durante discussões no Congresso Nacional.
Segundo Marinho, Haddad, por ter acompanhado diretamente os debates relacionados ao tema, sustentou que o senador não trabalhou em benefício da instituição financeira, contrariando as acusações apresentadas por adversários políticos.
Reunião com Lula
As declarações ocorrem poucas horas antes de uma reunião prevista entre Wagner e o presidente Lula da Silva (PT), no Palácio da Alvorada.
O encontro é tratado nos bastidores como decisivo para definir o futuro da liderança do governo no Senado.
Aliados do Planalto avaliam que uma eventual substituição poderia reduzir desgastes e evitar que o caso tenha reflexos nas urnas em outubro.
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