Lula enfrenta voto casado no Ceará e fenômeno semelhante ganha força com LuNeto na Bahia

A estratégia de combinar o voto para presidente com uma escolha diferente para governador começa a ganhar contornos distintos nos principais estados brasileiros. No Ceará, aliados de Ciro Gomes (PSDB) passaram a defender abertamente o chamado voto casado, com Lula para a Presidência e o tucano para o governo estadual.

Na Bahia, o fenômeno assume outra configuração e vem sendo identificado como LuNeto, uma combinação entre Lula e ACM Neto (União Brasil). Em São Paulo, uma dinâmica semelhante passou a ser chamada de Tarlula, reunindo eleitores que pretendem votar em Lula para presidente e em Tarcísio de Freitas (Republicanos) para governador.

Os três movimentos têm uma característica em comum, a possibilidade de o eleitor separar a escolha presidencial da disputa estadual, mesmo quando os candidatos pertencem a campos políticos diferentes.

No Ceará, aliados de Ciro apostam em Lula

A estratégia ganhou força no Ceará diante da vantagem de Ciro Gomes sobre o governador Elmano de Freitas nas pesquisas. Levantamento Datafolha divulgado em agosto mostra o ex-governador com 52% das intenções de voto, contra 33% de Elmano no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Ciro aparece com 55%, enquanto o governador registra 37%.

Um dos defensores do voto combinado é Ivo Gomes, irmão de Ciro e do senador Cid Gomes. Nas redes sociais, Ivo publicou uma imagem com a mensagem “Lula lá, Ciro cá”, defendendo que o eleitorado possa escolher Lula para o Planalto e Ciro para o Palácio da Abolição.

A justificativa é direta, Lula possui forte influência eleitoral no Ceará, enquanto Ciro aparece competitivo na disputa estadual. A tentativa, portanto, é evitar que a popularidade presidencial seja transferida automaticamente para Elmano.

A estratégia também é defendida pelo deputado federal Mauro Benevides Filho, que deixou recentemente a função de vice-líder do governo Lula na Câmara após assumir a coordenação do programa de governo de Ciro.

Bahia tem LuNeto

Na Bahia, a lógica é inversa à estratégia adotada pelos aliados de Ciro. O chamado LuNeto reúne eleitores que pretendem votar em Lula para presidente e em ACM Neto para governador.

O movimento ganhou espaço nas últimas semanas e passou a preocupar setores da campanha de Jerônimo Rodrigues. Políticos baianos já declararam publicamente a combinação de votos, enquanto o próprio candidato oposicionista, apesar de afirmar que apoia Ronaldo Caiado para presidente, disse respeitar a liberdade de escolha dos eleitores.

A expressão LuNeto passou a ser usada para representar justamente essa divisão do voto, Lula no plano nacional e ACM Neto na disputa pelo governo estadual. O fenômeno também foi destacado em análises recentes sobre a eleição baiana.

São Paulo registra o chamado Tarlula

Em São Paulo, a divisão também aparece entre os eleitores. O fenômeno passou a ser chamado de Tarlula, referência à combinação entre Lula e Tarcísio de Freitas.

Levantamento da Quaest divulgado nesta semana mostrou que 11% dos eleitores que se identificam como lulistas afirmam votar em Tarcísio para o governo paulista. O dado evidencia que uma parcela do eleitorado não necessariamente reproduz no pleito estadual a mesma escolha feita para a Presidência.

O movimento ocorre em uma eleição na qual Tarcísio busca a reeleição e enfrenta Fernando Haddad.

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