Lula diz que filho responderá à Justiça se for culpado e nega qualquer privilégio a Lulinha

O presidente Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (30) que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deverá responder à Justiça como qualquer outro cidadão caso seja considerado culpado das acusações investigadas pela Polícia Federal. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., horas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de uma investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

Segundo Lula, não haverá qualquer tipo de interferência do Palácio do Planalto nas investigações. O presidente declarou que, se o filho for inocente, terá seu apoio, mas, se tiver cometido irregularidades, deverá responder pelos próprios atos.

“Se for julgado, virá para cá. Não vai ficar escondido. Não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei. E, se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, afirmou o presidente.

Durante a entrevista, Lula relembrou o período em que foi investigado e preso no âmbito da Operação Lava Jato. O presidente também citou os impactos das acusações sobre sua família, mencionando a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, em 2017, e disse que o filho conhece o sofrimento vivido pela família durante aqueles anos.

O chefe do Executivo afirmou ainda que Lulinha é alvo de ataques políticos desde 2006. Segundo ele, adversários utilizam o nome do empresário para atingir sua imagem e divulgar acusações que classificou como falsas.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça após pedido da Polícia Federal. O novo procedimento busca apurar se Fábio Luís Lula da Silva teria praticado tráfico de influência e corrupção em supostas tratativas relacionadas à comercialização de produtos de cannabis medicinal, envolvendo contatos com integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial.

Além desse novo inquérito, Lulinha já era citado em outra investigação conduzida pela Polícia Federal sobre as fraudes em descontos indevidos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com a nova decisão, os investigadores passaram a analisar também fatos relacionados à possível atuação do empresário junto a órgãos do governo federal.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa nacional, integrantes do Supremo Tribunal Federal também discutem internamente alguns dos desdobramentos adotados pela Polícia Federal ao longo da investigação. O caso segue em fase inicial de apuração, sem denúncia apresentada pelo Ministério Público ou julgamento sobre o mérito das acusações.

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