Jerônimo cobra atuação de Lula e diz que Bahia não pode enfrentar violência sozinha

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), cobrou nesta terça-feira (1º) uma participação mais efetiva do governo federal no enfrentamento à crise de segurança pública no estado. Em entrevista à TV Aratu, o governador afirmou que espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assuma maior responsabilidade na articulação de medidas contra a violência.

Jerônimo argumentou que a segurança pública não pode ser tratada exclusivamente como uma atribuição dos governos estaduais. Para ele, a dimensão do problema exige uma estratégia nacional, com integração entre União, estados e municípios.

“Eu espero que o presidente Lula assuma essa responsabilidade”, afirmou o governador, ao defender uma atuação federal mais ampla.

Governador critica responsabilização da Bahia

Durante a entrevista, Jerônimo reconheceu que o governo estadual precisa enfrentar os problemas relacionados à violência, mas criticou o que considera uma responsabilização excessiva da Bahia pelos índices de criminalidade.

“Não estou negando que nós temos que enfrentar o tema da segurança pública. Mas como é feita a forma, é uma grande injustiça com a Bahia”, declarou.

A cobrança ocorre em meio à pressão política sobre o governo baiano em relação à segurança pública. O tema também ganhou espaço na disputa eleitoral de 2026, com adversários de Jerônimo colocando a violência entre os principais pontos de crítica à atual administração.

Pedido por mais inteligência e prevenção

O governador também defendeu o aumento dos investimentos federais em inteligência, tecnologia e segurança. Segundo ele, ações preventivas precisam receber atenção especial, principalmente para reduzir a vulnerabilidade de jovens expostos à criminalidade.

A estratégia defendida por Jerônimo inclui uma maior integração entre forças policiais e órgãos públicos. O próprio governo baiano mantém um plano estratégico para o sistema estadual de segurança, com diretrizes voltadas à integração das polícias, modernização tecnológica e gestão por resultados.

Em relatório de gestão, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que as operações assessoradas pela área de inteligência cresceram 5,26% em 2025, em comparação com o ano anterior. O Estado também iniciou um programa específico de integração e inteligência em segurança pública.

União anuncia novos recursos para segurança

A cobrança por maior participação federal ocorre justamente quando o Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou uma nova linha de financiamento para o setor. Segundo o governo federal, foram apresentadas 126 propostas de 13 estados e do Distrito Federal, somando R$ 9,33 bilhões, com possibilidade de aplicação em tecnologia, inteligência, monitoramento, equipamentos e infraestrutura.

Para Jerônimo, entretanto, a questão precisa ultrapassar a transferência de recursos e envolver uma política nacional de segurança.

“Nós temos que ter um conceito de nação. Não adianta eu livrar o povo da Bahia e dizer: ‘olha, Goiás, Pernambuco, Sergipe’. Eu não posso tratar assim. Eu tenho um olhar da floresta”, afirmou.

Segurança no centro da eleição baiana

A fala do governador ocorre em um cenário no qual segurança pública se tornou um dos principais temas da disputa pelo governo da Bahia. Na recente sabatina da TV Aratu, o adversário ACM Neto também apresentou propostas específicas para a área, incluindo aumento do efetivo, valorização dos policiais, investimentos em equipamentos e reforço da investigação.

O debate tende a ganhar ainda mais força durante a campanha eleitoral. Enquanto a oposição cobra resultados do governo estadual, Jerônimo busca dividir a responsabilidade com a União e sustenta que o combate ao crime exige uma estratégia coordenada entre diferentes níveis de governo.

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