Pacientes, profissionais e gestoras dos hospitais universitários federais, da Rede HU Brasil, compartilham experiências que mostram os múltiplos significados de ser mãe
Incontáveis histórias ajudam a traduzir os desafios e as delicadezas da maternidade. Nenhuma experiência é igual , e é justamente essa diversidade que dá sentido à data celebrada no segundo domingo de maio, o Dia das Mães. Nos hospitais universitários da Rede HU Brasil , a maternidade se revela em diferentes formas: no cuidado, na superação, na ciência e, sobretudo, nas relações humanas construídas diariamente nesses espaços. Conheça, nesta reportagem especial, algumas destas histórias.
Quando a mãe também precisa ser cuidada
A maternidade pode começar de forma inesperada e, em muitos casos, atravessada por desafios de saúde. Foi assim para a técnica de enfermagem Vanessa Nascimento, de 29 anos, que realizou o pré-natal de alto risco no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) após descobrir, com apenas oito semanas de gestação, que esperava trigêmeos. “Foi assustador. Eu aceitei rápido, mas sempre tive muito medo, até o momento em que nasceram. Depois, todo o medo passou. Só quero levá-los para casa e curtir eles” , conta.
Mãe de primeira viagem, Vanessa iniciou o acompanhamento na atenção básica, mas foi encaminhada ao HUB devido à complexidade da gestação. Segundo ela, o acolhimento fez toda a diferença. “Tudo era novidade para mim , mas recebi muito apoio. Fui muito bem acompanhada e fiquei tranquila durante toda a gravidez por conta desse suporte.”
Os bebês nasceram no dia 27 de março deste ano . Davi e Thiago já receberam alta, enquanto Arthur segue em acompanhamento na UTI neonatal. “Eles nasceram bem, mas, por serem trigêmeos, precisam ganhar peso para ir para casa”, explica. Entre a ansiedade e o encantamento, Vanessa resume o momento com emoção: “Ainda estou assimilando tudo. Existe uma vontade enorme de estar com todos eles em casa, vivendo esse momento de mãe e filhos. Tudo muda na vida da gente.”
Maternidade que transforma e ressignifica
A maternidade também pode ser construída a partir de escolhas que ampliam o conceito tradicional de família. No Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU- Univasf ), a chefe da Divisão de Administração e Finanças, Sileide Neves, é mãe adotiva de três crianças , uma menina e dois meninos gêmeos. “O desejo de ser mãe por meio da adoção surgiu naturalmente, da vontade de cuidar, amar e oferecer um lar”, afirma.
A adoção aconteceu em janeiro de 2018, quando as crianças tinham entre 5 e 9 anos. Desde então, o vínculo foi construído com presença, dedicação e transformação. “Precisei desacelerar, sair da rotina intensa de trabalho e me permitir viver o universo da infância. Não foi fácil, mas foi transformador. Hoje, Vitória está com 16 anos, e os gêmeos Caio e Guilherme, com 14 .”
Para Sileide , a experiência reforça que a maternidade vai muito além dos laços biológicos. “Ser mãe é estar disponível de corpo e alma, acolher, orientar e crescer junto com os filhos, aprendendo e se transformando a cada etapa dessa jornada”.
Conciliar a maternidade com uma função de liderança exige equilíbrio constante e, muitas vezes, resiliência. Durante a pandemia de Covid-19, enquanto atuava na linha de frente da gestão hospitalar, Sileide também acompanhava os filhos em casa e cursava o doutorado. “Foi uma fase muito difícil, que exigiu organização e força emocional.”
A experiência evidenciou a importância da rede de apoio e do cuidado com a própria saúde mental. “Busquei acompanhamento psicológico e psiquiátrico após esse período intenso. Também contei com o apoio da família e precisei reorganizar prioridades para estar mais presente na vida dos meus filhos” , relata.
Os desafios invisíveis da maternidade
De acordo com a psicóloga Kárita Monteiro, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), um dos principais desafios da maternidade é a sobrecarga causada pela multiplicidade de papéis assumidos pelas mulheres. “A mãe de hoje , muitas vezes, sente que não consegue se sair bem em todas eles. Existe uma cobrança constante de dar conta de tudo, da casa, dos filhos e do trabalho , o que gera sobrecarga e sofrimento emocional.”
Segundo a especialista, muitas mulheres acabam negligenciando a própria saúde . Entre os sinais de alerta estão o cansaço extremo, esquecimentos frequentes, alterações de humor, ansiedade e sensação de insuficiência. “O ideal é buscar ajuda profissional e fortalecer a rede de apoio. Ser cuidada, validada e ter com quem dividir responsabilidades faz toda a diferença”, orienta.
Quando o cuidado atravessa gerações
No Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), a maternidade também se expressa na parceria entre mãe e filho, dentro e fora do ambiente de trabalho. A técnica de enfermagem Maria do Carmo Figueiredo integra a equipe desde 2019. Seu filho, o enfermeiro Francisco, atua na instituição desde 2017.
Em setores diferentes compartilham mais do que a profissão: dividem valores, histórias e o compromisso com o cuidado. “Nossa relação é de muita admiração profissional. No convívio familiar, temos uma relação baseada em respeito, carinho e diálogo”, conta Maria do Carmo.
Após anos dedicada à família e atuando em outra área, ela decidiu retomar os estudos, incentivada pelo filho. “Foi como validar tudo o que sempre ensinei: nunca desistir dos seus ideais. Recomeçar minha profissão foi uma forma de mostrar isso na prática ”, afirma. O retorno trouxe desafios, como conciliar estudos noturnos, responsabilidades do lar e adaptação ao ambiente digital.
Hoje, essa conexão também se reflete no cuidado com os pacientes. Francisco atua na UTI Pediátrica e acompanha crianças em estado mais crítico . Após a alta hospitalar , muitas delas seguem para o acompanhamento ambulatorial, onde Maria do Carmo tem a oportunidade de promover o seguimento dos cuidados . “Ele sempre diz para as mães que elas vão me conhecer depois. É muito gratificante. Muitas querem saber quem é a mãe do Francisco”, relata, emocionada.
Mais do que espaços de assistência, os hospitais universitários são ambientes onde ciência e humanidade caminham juntas. Neste Dia das Mães, as histórias que atravessam esses espaços mostram que não existe uma única forma de maternar , mas há algo em comum entre todas elas: o cuidado, em suas múltiplas dimensões.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh . É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Por Danielle Morais, com revisão de Danielle Campos, da HU Brasil