Guterres compara riscos da inteligência artificial aos das armas nucleares - 13 NEWS

Guterres compara riscos da inteligência artificial aos das armas nucleares

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, abriu nesta terça-feira (22) o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com um alerta sobre guerras, ataques contra civis, crise climática, desigualdade e o avanço acelerado da inteligência artificial. O debate reúne representantes dos 193 países-membros e segue até 28 de setembro.

Entre os principais pontos do discurso, Guterres comparou os riscos associados à inteligência artificial aos desafios enfrentados pela comunidade internacional durante a era das armas nucleares. Segundo ele, assim como ocorreu durante a Guerra Fria, países com interesses divergentes precisam criar mecanismos de diálogo e cooperação para administrar riscos que ultrapassam fronteiras.

Alerta sobre avanço da IA

Guterres afirmou que a inteligência artificial está avançando em velocidade superior à capacidade da sociedade de compreender plenamente seus efeitos. Para o secretário-geral, o desenvolvimento tecnológico precisa ser acompanhado por mecanismos de responsabilização, supervisão e transparência.

O chefe da ONU defendeu que os países que lideram o desenvolvimento da tecnologia compartilhem informações sobre riscos emergentes, cooperem em testes e avaliações e estabeleçam salvaguardas comuns. A preocupação também envolve o uso militar da IA e a possibilidade de sistemas tomarem decisões críticas sem controle humano.

“Robôs assassinos”

Durante o discurso, Guterres afirmou que crianças não devem ser utilizadas como cobaias de sistemas de inteligência artificial ainda sem regulamentação adequada. Também defendeu que decisões relacionadas à vida e à morte não sejam transferidas para máquinas.

“Robôs assassinos não devem ter lugar no nosso futuro”, declarou.

A ONU vem ampliando a discussão sobre governança internacional da inteligência artificial. O tema também está presente na agenda da organização nesta semana, enquanto governos e especialistas discutem formas de estabelecer padrões comuns para uma tecnologia que vem transformando relações econômicas, políticas, sociais e militares.

Disputa pelo poder

Para Guterres, a inteligência artificial não deve ser tratada como uma crise isolada. Na avaliação do secretário-geral, conflitos, desigualdade, mudanças climáticas e transformação tecnológica fazem parte de uma disputa mais ampla sobre a forma como o poder é exercido e distribuído no mundo.

Ao mesmo tempo, ele reconheceu o potencial da inteligência artificial para ampliar oportunidades, estimular inovação e contribuir para a solução de problemas. A questão central, segundo a ONU, é estabelecer mecanismos capazes de garantir que o avanço tecnológico seja acompanhado por responsabilidade e supervisão humana.

A 81ª Assembleia Geral ocorre em um cenário internacional marcado por conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, além de disputas geopolíticas e preocupações crescentes sobre os impactos da inteligência artificial na segurança internacional.

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