Um depoimento prestado à Polícia Federal pela ex-marqueteira do PT Danielle Fonteles abriu uma nova frente de desgaste político para o governo do presidente Lula da Silva (PT). Segundo informações divulgadas pela revista Veja, a testemunha confirmou que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, participou de viagens e reuniões relacionadas a empreendimentos ligados ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suspeitas de fraudes bilionárias contra aposentados.
De acordo com a reportagem, Danielle Fonteles, que reside em Portugal desde 2019, foi ouvida pela Polícia Federal no âmbito das investigações e confirmou que Lulinha esteve no país europeu para visitar uma fábrica de canabidiol associada a negócios do empresário investigado.
Segundo o depoimento, além da visita à unidade industrial, o filho do presidente também participou de reuniões relacionadas ao empreendimento. No entanto, a testemunha afirmou que ele não exercia papel de comando ou decisão nas tratativas empresariais.
Conforme o relato reproduzido pela revista, Fábio Luís teria participado dos encontros como observador, sem envolvimento direto em negociações ou definições comerciais.
O episódio ganhou repercussão política porque Antônio Carlos Camilo Antunes é alvo de investigações relacionadas a supostas fraudes em descontos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas. Embora não haja, até o momento, indicação de movimentações financeiras suspeitas envolvendo o filho do presidente, a ligação com uma pessoa investigada passou a ser explorada no debate político nacional.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação de setores da oposição é que o caso poderá ser utilizado para pressionar por novos desdobramentos das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). O tema também tende a ganhar espaço nas discussões políticas que antecedem as eleições de 2026.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva sustenta que a viagem a Portugal ocorreu em um período anterior à notoriedade nacional das investigações envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes. Segundo os advogados, o empresário era conhecido à época por sua atuação no setor farmacêutico e não havia qualquer informação pública que o relacionasse ao escândalo investigado atualmente.
Os representantes de Lulinha afirmam ainda que ele jamais manteve participação societária, vínculo empresarial ou qualquer relação direta ou indireta com os negócios do investigado. Também negam o recebimento de recursos financeiros provenientes de Antônio Carlos Camilo Antunes ou de empresas ligadas ao empresário.
De acordo com a defesa, as informações prestadas por Danielle Fonteles reforçam justamente a inexistência de qualquer envolvimento do filho do presidente em práticas ilícitas. Os advogados destacam que nenhuma das análises de sigilo realizadas até agora identificou movimentações financeiras suspeitas associadas a Fábio Luís.
Apesar do encerramento da CPI do INSS no Congresso Nacional sem a aprovação de medidas como a quebra de sigilo do filho do presidente, as investigações continuam em andamento. O foco dos investigadores permanece na análise de mensagens, encontros, viagens e eventuais conexões empresariais entre os envolvidos no esquema sob apuração.
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