Candidato pede recontagem total dos votos e amplia tensão na disputa presidencial do Peru

A disputa presidencial no Peru segue marcada pela incerteza e pela disputa voto a voto entre os candidatos Roberto Sánchez e Keiko Fujimori. Nesta última sexta-feira (12), Sánchez solicitou uma recontagem completa dos votos das eleições presidenciais e convidou a adversária, que aparece à frente na apuração, a participar conjuntamente do processo de revisão eleitoral.

Segundo o candidato, foram identificadas supostas irregularidades durante a contagem dos votos nacionais e também dos votos registrados no exterior. Sánchez argumentou que uma verificação ampla dos resultados contribuiria para fortalecer a confiança da população no processo democrático e garantir maior estabilidade institucional ao país.

O pedido ocorre enquanto o Júri Nacional de Eleições do Peru continua analisando recursos e cédulas contestadas pelas campanhas. A revisão dos votos questionados tem sido um dos fatores que prolongam a divulgação do resultado oficial do segundo turno presidencial.

Dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) apontavam, às 20h45 de sexta-feira, com 98,304% das urnas apuradas, uma disputa extremamente apertada. Keiko Fujimori liderava com 50,010% dos votos válidos, enquanto Roberto Sánchez registrava 49,990%, uma diferença de aproximadamente 3.616 votos.

O cenário de equilíbrio entre os dois candidatos tem mantido elevada a expectativa sobre a conclusão da apuração. Embora a votação tenha ocorrido no domingo (7), autoridades eleitorais já indicaram que o resultado definitivo poderá levar semanas para ser oficializado devido aos procedimentos legais de análise dos recursos apresentados pelas campanhas.

Além das contestações eleitorais, fatores geográficos e logísticos também contribuem para a lentidão do processo no Peru. O país adota o sistema de votação em cédulas impressas, exigindo o transporte físico dos votos para centros de apuração. Em diversas regiões da Amazônia e dos Andes, o deslocamento depende de embarcações fluviais, trilhas e até animais de carga para alcançar comunidades remotas.

A complexidade territorial peruana é frequentemente apontada por especialistas e autoridades eleitorais como um dos principais desafios para a consolidação rápida dos resultados nacionais, especialmente em eleições acirradas como a atual.

Diante do cenário de forte polarização e da margem mínima entre os candidatos, o pedido de recontagem feito por Roberto Sánchez tende a manter o ambiente político em estado de atenção, enquanto os órgãos eleitorais seguem responsáveis pela validação definitiva do pleito presidencial.

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