Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a região norte da Venezuela na semana passada deixaram um colossal rastro de destruição. Cinco dias depois, a busca por desaparecidos entre montanhas de escombros prossegue nesta última segunda-feira (29), enquanto vem aumentando a contagem de mortos.
Houve também prejuízos significativos para moradias, empreendimentos comerciais e ativos econômicos, que poderão impactar um país já em crise.
Veja abaixo cinco números que dimensionam as consequências dos terremotos, os esforços de resgate e o impacto social e econômico no país sul-americano.
Mortos, feridos e desabrigados
Pelo menos 1.450 pessoas morreram e outras 3.150 ficaram feridas, apontou no domingo o presidente do Parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez. O número de feridos foi revisado em relação aos 3.238 anunciados no dia anterior.
Além disso, 12.721 famílias estão desabrigadas, de acordo com o governo. Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que 1,8 milhão de pessoas, incluindo 680 mil crianças, precisem de assistência humanitária.
Por sua vez, a Organização Internacional para as Migrações da ONU (OIM) calcula que o total de afetados pode chegar a 6,76 milhões de pessoas.
Réplicas
Após os dois fortes terremotos (de magnitude 7,2 e 7,5 graus na escala Richter), a Venezuela registrou mais de 430 réplicas, de acordo com o balanço mais recente do presidente do Legislativo.
Segundo a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis), houve mais de vinte tremores só no último domingo. O mais forte atingiu 4,3 graus de magnitude na escala Richter às 5h34 no horário local (6h34 no Brasil), no oeste do país.
Tremores intensos no país podem, por vezes, ser sentidos na região Norte do Brasil. Foi o caso dos poderosos terremotos da semana passada, que provocaram oscilações em prédios altos. Não houve mortes, feridos ou danos estruturais significativos em território brasileiro.
Equipes de resgate
Subiu para 2.624 o número de socorristas em atuação, vindos inclusive de fora da Venezuela. Eles contam com 137 cães treinados, 49 veículos de apoio e 84,8 toneladas de equipamentos, medicamentos e insumos cirúrgicos, segundo autoridades em Caracas.
Socorristas de El Salvador, México, República Dominicana, Suíça, Equador, Espanha, Chile, Colômbia, Países Baixos, Itália e Estados Unidos já chegaram ao país, de acordo com a presidente interina, Delcy Rodríguez. A expectativa era que equipes de outros países se juntassem aos esforços.
Na semana passada, o Brasil também anunciou o envio de uma equipe para apoiar as operações de busca e salvamento. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que coordena a missão brasileira, seriam enviados por ora 37 bombeiros militares, três servidores da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e quatro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), para ajudar na identificação de celulares que ainda pudessem estar ligados. A equipe brasileira é acompanhada de cães treinados, uma caminhonete e dez toneladas de materiais e equipamentos.
Também uma equipe de 11 especialistas técnicos da Espanha, Áustria, Itália, Luxemburgo, Bélgica, Estônia e do Centro de Coordenação de Resposta a Emergências da Comissão Europeia (ERCC) chegou à Venezuela no fim de semana para apoiar as operações em solo, além de uma equipe adicional de especialistas enviada pela Itália.
Ao todo, 14 países da União Europeia (UE) contribuíram com equipes de busca e resgate, equipes médicas, apoio em telecomunicações ou conhecimento técnico até o momento.
Além disso, inúmeros venezuelanos participam voluntariamente das operações de resgate em prédios afetados e organizam arrecadações e transporte de doações. Segundo dados oficiais, 7.876 voluntários se registraram em um centro de cadastro em Caracas.
Os prejuízos causados em moradias e ativos econômicos, como veículos, edifícios e estabelecimentos comerciais foram estimados em 6,7 bilhões de dólares (R$34,6 bilhões), com base numa avaliação preliminar por satélite do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). É o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela.
O valor envolve apenas danos diretos, e não danos à infraestrutura, consequências econômicas mais amplas ou custos de reconstrução a longo prazo. Tradicionalmente, acrescenta o Pnud, o impacto total pode chegar a três vezes do prejuízo provocado por danos diretos.
Teriam sido afetadas 1,7 milhão de construções, concentradas nas áreas onde o impacto dos terremotos foi maior. Entre as estruturas danificadas, estão hospitais e escolas em diversos estados.
Apenas no Distrito Capital, que abriga parte de Caracas, houve danos a 432 escolas, segundo o Unicef. Aquelas que não foram danificadas estão sendo usadas como abrigos.
“Os hospitais estão operando acima da sua capacidade, milhares de meninos e meninas não têm acesso seguro à água potável e muitas escolas sofreram danos”, relatou Manuel Rodríguez Pumarol, representante da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) na Venezuela.
Os números das autoridades venezuelanas dão conta de 189 edifícios com destruição total e 585 com danos parciais, além de 38 hospitais, 44 centros comerciais e 1.645 estruturas “de outra natureza” afetadas. O governo anunciou a criação de um grupo para inspecionar as construções danificadas e outro para planejar projetos de novas edificações.
Ajuda humanitária
Além do envio de equipes de resgate, países e organizações enviam recursos financeiros ou insumos para assistir a população venezuelana, incluindo equipamentos de cozinha, medicamentos, itens de higiene, mosquiteiros e refeições.
Os Estados Unidos disseram que mobilizariam 150 milhões de dólares em ajuda (R$775 milhões), enviados ao Programa Mundial de Alimentos da ONU, à organização sem fins lucrativos International Medical Corps e a um fundo conjunto da ONU.
Por sua vez, a União Europeia (UE) está destinando 5 milhões de euros (R$25 milhões) em ajuda humanitária para garantir abrigo e assistência de saúde aos atingidos. Já o papa Leão enviou 100 mil euros (R$590 mil) a partir do fundo de caridade do Vaticano.
A China anunciou nesta segunda-feira que enviará 14,7 milhões de dólares em ajuda humanitária à Venezuela. O governo chinês detalhou que fornecerá “suprimentos de emergência gratuitos para apoiar as operações de resgate” e colaborará com a reconstrução posterior. Pequim também fornecerá imagens de satélite das áreas afetadas para auxiliar nos trabalhos de resgate e disse estar disposta a ampliar o apoio “à medida que a situação evoluir”.
Outras 71 toneladas de insumos de emergência foram anunciadas por Suíça, Índia, Colômbia e Equador, entre outros países e organizações que vêm prometendo diversos tipo de ajuda.
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