Em parceria com o CNPq, chamada pública recebe inscrições de Institutos Federais e Universidades Federais até 10 de agosto para qualificar 3.520 jovens mulheres em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemáticaO Ministério das Mulheres lançou, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a chamada pública da segunda edição do Programa Asas para o Futuro . Com investimento de R$ 7,552 milhões da Pasta, a iniciativa vai selecionar propostas de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) e Universidades Federais (UFs) para ampliar a participação de mulheres jovens em setores estratégicos para o desenvolvimento econômico. As inscrições estão abertas de 30 de junho a 10 de agosto de 2026.
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A chamada tem como meta qualificar 3.520 jovens mulheres de 15 a 29 anos em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla STEM, além de setores como energia, infraestrutura, logística, transportes, ciência e inovação.
O programa prioriza jovens em situação de vulnerabilidade social e econômica, especialmente negras, indígenas, quilombolas, transexuais, com deficiência, residentes em áreas periféricas urbanas ou zonas rurais. Também poderão ser atendidas jovens inscritas no Cadastro Único, mães ou responsáveis diretas por crianças de até 12 anos.
Serão apoiadas até 32 propostas em todo o país. A distribuição prevê 16 propostas para as regiões Norte e Nordeste e 16 para Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Do total, 21 propostas serão destinadas a Institutos Federais e 11 a Universidades Federais.
A formação terá carga horária mínima de 160 horas de qualificação profissional, acrescidas de 40 horas de formação sociopolítica, totalizando pelo menos 200 horas de atividades. Durante o percurso formativo, as participantes receberão bolsa mensal de R$ 300 por quatro meses, como estratégia de permanência no curso.
O módulo sociopolítico deverá incluir orientações sobre acesso a serviços digitais do Governo Federal, Programa Dignidade Menstrual, Sistema Nacional de Emprego (Sine) e elaboração ou atualização do Currículo Lattes. As instituições selecionadas também deverão apresentar estratégias para favorecer a continuidade da trajetória formativa das bolsistas nas áreas STEM.
A nova etapa do Asas para o Futuro foi anunciada durante evento realizado no auditório do CNPq, em Brasília, que marcou o lançamento de cinco chamadas públicas voltadas ao incentivo à pesquisa, à ciência, à tecnologia e à promoção da equidade étnico-racial e de gênero. As iniciativas somam cerca de R$ 65 milhões em investimentos e envolvem, além do Ministério das Mulheres e do CNPq, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; o Ministério da Igualdade Racial; o Ministério da Educação; a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); o Instituto Rio Branco; e a Petrobras.
Permanência e inserção no mundo do trabalho
Representando o Ministério das Mulheres, JoanaC Célia dos Passos, secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, destacou que o Asas para o Futuro é uma estratégia para ampliar o acesso de jovens mulheres à qualificação profissional e fortalecer sua presença em áreas ainda marcadas por desigualdades de gênero, raça e território. Segundo ela, a primeira edição do programa qualificou 1.400 jovens em 25 tipos de cursos, em áreas que vão da logística à fotografia.
“Os institutos estão em territórios de muita vulnerabilidade social. Isso também é uma estratégia para chegar mais próximo do nosso público, dessas mulheres, das mulheridades, das diferentes formas de ser mulher”, explicou Joana Passos.
Ela ressaltou que a iniciativa busca articular qualificação profissional, acesso a políticas públicas e inserção no mundo do trabalho, considerando as necessidades dos territórios onde as jovens vivem e atuam.
“Trabalhamos para que elas não tenham apenas cursos de qualificação, mas também uma discussão sobre o papel das políticas públicas, como elas podem acessar essas políticas e quais necessidades existem no território em que atuam. Elas recebem uma bolsa de R$ 300 para permanecer no curso, além de um kit com os equipamentos necessários para continuar, por um ano, atuando na formação que realizaram”, afirmou.
Diversidade na ciência
Durante a cerimônia, o presidente do CNPq, Olival Freire Júnior, destacou que a ampliação da diversidade na ciência é parte da missão das agências de fomento à pesquisa, ao ensino superior e à pós-graduação. Segundo ele, promover inclusão também contribui para fortalecer a qualidade da produção científica brasileira.
“As missões das agências de fomento à pesquisa, de fomento ao ensino superior e à pós-graduação partem da compreensão de que nós estamos promovendo ciência de melhor qualidade nesse caminho”, afirmou.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o conjunto de chamadas públicas representa uma inflexão na forma de financiar o conhecimento no país, ao colocar a igualdade étnico-racial e de gênero como parte da estratégia de desenvolvimento científico e tecnológico.
“Esse é um daqueles momentos em que a política pública encontra seu propósito mais profundo, que é transformar realidades e ampliar horizontes”, declarou.
A ministra também reforçou que a presença de mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas e outros grupos historicamente sub-representados é essencial para que a ciência dialogue com os desafios reais da população brasileira.
“Ciência não se faz apenas com excelência, ciência também se faz com equidade. E não há verdadeira excelência onde há exclusão. Então estamos aqui para afirmar que um Brasil mais soberano e mais desenvolvido exige de nós uma ciência mais forte. E, para ser mais forte, a ciência precisa ser feita por muitas mãos, muitas vozes, cores, olhares e pensamentos”, afirmou Luciana Santos.
Outras chamadas públicas
Além do Asas para o Futuro, foram anunciadas iniciativas voltadas à inclusão de mulheres, população negra, indígenas, quilombolas, ciganas e comunidades tradicionais na produção científica nacional. Entre elas estão o Projeto InspirAÇÃO, financiado pela Petrobras, a Chamada Atlânticas Beatriz Nascimento, o Programa Lélia Gonzalez, a Rede Nacional de Pesquisa em Igualdade Racial e uma nova frente do Programa de Ação Afirmativa voltada a mulheres negras de baixa renda interessadas na carreira diplomática.
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