Brasileiros fecham 2025 mais endividados, apesar de alívio pontual no fim do ano

Apesar de um discreto alívio nos últimos meses, a realidade financeira das famílias brasileiras fechou 2025 sob maior pressão. O percentual de endividados atingiu 78,9% em dezembro, índice superior ao registrado no ano anterior e que confirma o avanço consistente do endividamento ao longo do período.

Após alcançar um pico histórico em outubro, o indicador apresentou leve recuo até o fim do ano, sinalizando algum fôlego momentâneo para o consumidor. A melhora também foi percebida no número de famílias com contas em atraso, que caiu para 29,4%, o menor nível desde o primeiro semestre. Ainda assim, os dados revelam um cenário longe do conforto financeiro.

O cartão de crédito permanece no centro do problema, utilizado por mais de 85% dos endividados e consolidado como a principal porta de entrada para o desequilíbrio no orçamento doméstico. Na sequência aparecem carnês, crédito pessoal, financiamentos imobiliários e de veículos, além do crédito consignado, todos compondo um quadro de forte dependência do crédito para manter o consumo.

O recuo observado em dezembro é atribuído a fatores sazonais, como o pagamento do 13º salário e o aquecimento do comércio nas festas de fim de ano, além de um maior esforço de planejamento por parte dos consumidores. O prazo médio das dívidas também apresentou ligeira redução, indicando tentativas de reorganização financeira.

Mesmo assim, o saldo de 2025 expõe um problema estrutural. A combinação de juros elevados e uso recorrente do crédito rotativo, especialmente no cartão, mantém milhões de famílias presas a um ciclo difícil de romper. O economista Fabio Bentes avalia que a saída passa, necessariamente, pela redução gradual da taxa básica de juros.

Segundo ele, a melhora registrada no último trimestre não deve mascarar os riscos à frente. “O último trimestre teve resultados positivos por fatores pontuais, mas existe uma bola de neve no endividamento, sobretudo no cartão de crédito. Sem uma Selic mais razoável, a capacidade de pagamento das famílias fica comprometida”, alerta.

O retrato do fim de 2025 deixa claro que, embora haja sinais de ajuste no curto prazo, o endividamento segue como um dos principais desafios econômicos do país, com impacto direto no consumo, no bem-estar das famílias e no ritmo da atividade econômica.

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