Veja cinco caminhos para a educação superior que começam com o Enem — Agência Gov

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que tem inscrições abertas até esta sexta-feira (12/6), é a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil. Seja em uma universidade pública, em uma instituição privada com bolsa de estudos ou por meio de financiamento estudantil e até mesmo em uma graduação em Portugal, o Enem ajuda estudantes de todas as regiões do País a transformarem sonhos em realidade.

Criado em 1998 para avaliar o desempenho dos estudantes concluintes do ensino médio, o exame ganhou uma nova dimensão a partir de 2009, passando a ser utilizado em programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) , o Programa Universidade para Todos (Prouni) , o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Pé-de-Meia Licenciaturas , além de processos seletivos próprios de instituições públicas e privadas.

Sisu – Quem realiza o Enem pode concorrer a vagas em instituições públicas de educação superior por meio do Sisu. Na edição mais recente, foram disponibilizadas aproximadamente 274 mil vagas para 7,3 mil cursos em 136 instituições de todas as regiões do Brasil. Desse total, cerca de 271 mil estudantes foram aprovados.

Foi por esse caminho que Higor Magalhães conquistou uma vaga no curso de licenciatura em matemática do Instituto Federal de Goiás (IFG). “Eu já pagava um curso, mas estava bastante apertado para mim financeiramente. Venho de uma região periférica, de uma família de baixa renda, e, por meio dessa política pública, eu consegui ingressar em um instituto federal”.

Para participar do Sisu 2027, os candidatos não poderão ter zerado a redação nem participado como treineiros do Enem. A seleção considera a melhor média ponderada das notas obtidas em até três edições recentes do exame e respeita as modalidades de concorrência previstas pela Lei de Cotas.

Prouni – O Prouni oferece bolsas integrais (100%) e parciais (50%) para cursos de graduação em instituições privadas de educação superior há 21 anos. Desde sua criação, a iniciativa já beneficiou mais de 3,7 milhões de estudantes em todo o país.

Entre os beneficiados está Francisco Tavares, aprovado em medicina com bolsa integral, que cobre 100% do valor da mensalidade do curso. Calouro em universidade com sede em Brasília, ele foi selecionado por meio da lista de espera do processo seletivo para o primeiro semestre de 2026, mas sabe da existência do programa desde a infância.

“Uma prima minha do interior do Nordeste fez faculdade de pedagogia pelo Prouni por volta de 2006, logo após a criação do programa, e isso deu outra perspectiva de vida para ela. Então, desde pequeno ouço falar sobre o Prouni. Ele mudou minha vida realizando esse sonho, um sonho que nem minha família e nem eu poderíamos pagar, e, com o Prouni, consegui a bolsa de 100%”.

Além de estudar de forma totalmente gratuita, Francisco poderá ser beneficiado com outra bolsa ofertada pelo MEC, por meio do Programa Bolsa Permanência Prouni (PBP-Prouni). Esse outro programa concede bolsa mensal no valor de R$ 700 para apoiar nas despesas com material escolar, transporte e alimentação para bolsistas integrais do Prouni, regularmente matriculados em cursos com carga horária intensa, em período integral, como os cursos de medicina, entre outros.

A história de Karine Nunes também demonstra o impacto do Prouni na vida de quem ingressou na universidade por outros meios. Ela iniciou o curso de direito com uma bolsa concedida pela instituição onde trabalhava, mas, quando deixou o emprego, encontrou no Prouni a oportunidade de continuar os estudos. “Esse programa ajuda muito quem não tem condições de pagar uma faculdade e que, por algum motivo, não ingressou em uma instituição pública. Com a minha bolsa de 50%, eu estou conseguindo continuar no curso e vou me formar no próximo ano”, comemora.

Todo ano, o MEC realiza dois processos seletivos do Prouni para ingresso no primeiro e no segundo semestre. Para participar das edições do próximo ano, basta obter média superior a 450 pontos no Enem e nota acima de zero na redação. Para a classificação, será considerada a melhor média ponderada das notas obtidas em até duas das edições mais recentes do Enem, de acordo com a ordem de classificação definida em normativos do programa. Os pré-selecionados devem comprovar que atendem aos critérios socioeconômicos estabelecidos em editais, como possuir renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio para quem disputa bolsa integral (100%) e até três salários mínimos para as bolsas parciais, de 50%.

Fies – As notas do Enem 2026 podem ser utilizadas também para concorrer a vagas do Fies, programa que possibilita o acesso ao ensino superior em instituições privadas por meio do financiamento da graduação. Todo ano, o MEC realiza dois processos seletivos regulares com oferta de novas vagas do Fies para ingresso no primeiro e no segundo semestre.

Criado em 2001, o Fies é destinado a estudantes com renda familiar per capita de até três salários mínimos. Desde 2024, com a criação do Fies Social, metade das vagas dos processos seletivos do programa são reservadas para candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), situação ativa, e com renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo. Também em 2024, o Fies passou a adotar cotas para pessoas com deficiência, indígenas, quilombolas e autodeclarados pretos e pardos.

Para se inscrever nos próximos processos seletivos, é necessário ter realizado alguma edição do Enem desde 2010, obtido média superior a 450 pontos e não ter zerado a redação.

Segundo Larissa dos Anjos, estudante de psicologia, o programa foi uma oportunidade de continuar perseguindo seu objetivo profissional: “O programa me ajudou financeiramente, pois a mensalidade do meu curso é muito alta. Isso me deu a oportunidade de continuar cursando o que eu sonhava”.

Pé-de-Meia Licenciaturas – Além de abrir portas para a educação superior, o Enem também é um dos critérios de acesso ao Pé-de-Meia Licenciaturas, iniciativa que busca incentivar a formação de novos professores para a educação básica.

O programa oferece auxílio mensal de R$ 1.050 para estudantes matriculados em cursos presenciais de licenciatura que tenham alcançado pelo menos 650 pontos no Enem. Do valor total, R$ 700 podem ser sacados mensalmente e R$ 350 são depositados em uma poupança, disponível após a conclusão do curso e o ingresso do profissional em uma rede pública de ensino.

Para Henrique Della Flora, beneficiário da iniciativa e estudante de física na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o Pé-de-Meia Licenciaturas investe no futuro da sua profissão. “Graças a esse programa eu sou incentivado todos os meses a seguir na minha licenciatura. Esse incentivo ajuda a seguir no curso, o que define não só o meu futuro, mas também o de muitos estudantes pelo Brasil”, afirma.

Seleções próprias – Além disso, os resultados individuais do Enem podem ser utilizados como critério único ou complementar de processos seletivos próprios realizados por cada instituição, seja privada ou pública, como é o caso da Universidade de São Paulo (USP), que oferece parte de suas vagas considerando o desempenho no exame.

Universidades portuguesas – Os resultados individuais do Enem também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para aceitar as notas do exame. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal, em instituições como a Universidade de Lisboa (ULisboa), Universidade de Coimbra (UC) e Universidade do Porto (U.Porto).

Enem 2026 – As inscrições para o Enem 2026 devem ser realizadas pela Página do Participante. As provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro. Estudantes concluintes do ensino médio que sejam vinculados à rede pública estão pré-inscritos, mas precisam confirmar a participação. Para os participantes não isentos, a taxa de inscrição é de R$ 85, com pagamento até 17 de junho.

Cronograma

  • Inscrições: de 25 de maio a 12 de junho;
  • Pagamento da taxa de inscrição: até 17 de junho;
  • Solicitação de atendimento especializado e nome social: de 25 de maio a 12 de junho;
  • Resultado do atendimento especializado: 26 de junho;
  • Recursos do atendimento especializado: de 29 de junho a 3 de julho;
  • Resultado dos recursos: 10 de julho;
  • Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro.
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O portal do Inep conta com uma página na qual é possível encontrar as principais orientações para os participantes do Enem. Há também uma seção destinada às perguntas frequentes sobre o exame e os respectivos esclarecimentos.

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Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do Inep e da Secretaria de Educação Superior (Sesu)

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