A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e os relatórios de inteligência que citam o ministro André Mendonça chegou ao Senado com uma ofensiva para cobrar explicações do governo e da cúpula da PF. Parlamentares articulam a convocação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além do comparecimento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Os requerimentos foram apresentados pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, a CCAI. A comissão pretende esclarecer como foram produzidos, utilizados e compartilhados documentos de inteligência relacionados a Mendonça e quais agentes e estruturas da PF participaram do processo.
A movimentação ocorre após Mendonça determinar o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Posteriormente, Rodrigues foi reconduzido ao comando da PF por decisão do ministro Flávio Dino. O episódio ampliou a tensão dentro do STF e provocou reação de parlamentares que querem saber quem elaborou os documentos e qual foi sua finalidade.
Amin afirmou que a intenção é buscar esclarecimentos concretos sobre o episódio. O senador também questiona a existência de um documento sem assinatura que teria sido utilizado em meio à disputa envolvendo Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.
Ao mesmo tempo, senadores da oposição aumentam a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), diante do que consideram uma postura de pouca atuação da Casa na crise do Supremo. Eduardo Girão (Novo-CE) criticou publicamente o silêncio do Senado e defendeu que o Congresso discuta os fatos que envolvem a PF, o STF e as denúncias relacionadas ao Banco Master.
A pressão política ganhou força após novas revelações sobre Daniel Vorcaro. Segundo reportagem da revista Veja, uma proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro teria citado um suposto pagamento de US$ 30 milhões a Alcolumbre, cerca de R$ 155 milhões. A publicação afirma que o dinheiro teria sido depositado no exterior. A acusação não foi comprovada e o relato integra uma proposta de colaboração que não foi aceita pela Polícia Federal.
O episódio coloca o Senado diante de uma cobrança crescente por transparência. Enquanto a crise entre integrantes do STF e a Polícia Federal avança, parlamentares querem que as instituições responsáveis pela fiscalização da inteligência estatal expliquem quem produziu os relatórios, por que foram elaborados e como essas informações chegaram ao Supremo.
A expectativa agora é que a CCAI avance nos requerimentos e permita que os senadores tenham acesso às explicações sobre a atuação da PF. O caso se tornou mais um capítulo da crise institucional que envolve o STF, a Polícia Federal e o Banco Master, aumentando a pressão sobre o Congresso para que exerça seu papel de fiscalização.
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