A saída de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, oficializada nesta sexta-feira (9) no Diário Oficial da União, elevou para 15 o número de trocas no primeiro escalão do governo do presidente Lula da Silva (PT) desde janeiro de 2023. A movimentação confirma a média de uma mudança ministerial a cada dois meses e meio, ritmo considerado elevado até mesmo por aliados do Planalto.
Com a exoneração, o Ministério da Justiça passa a ser comandado interinamente pelo secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, até que Lula defina o novo titular da pasta. Lewandowski entregou a carta de demissão na quinta-feira (8), em conversa reservada com o presidente, horas antes da cerimônia que marcou os três anos dos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Apesar da saída do ministro, a orientação interna é de que integrantes de sua equipe permaneçam nos cargos, ao menos até a definição de um novo comando, numa tentativa de evitar paralisia administrativa em uma das áreas mais sensíveis do governo.
Mudança no Ministério da Justiça
A troca no Ministério da Justiça ocorre em meio a avaliações no Congresso de que a saída de Lewandowski pode dificultar a tramitação da chamada PEC da Segurança Pública, considerada uma das principais apostas do Planalto para reorganizar o setor. Parlamentares avaliam que a instabilidade no comando da pasta enfraquece a articulação política e amplia resistências.
A demissão também expôs desgastes internos, disputas políticas e dificuldades orçamentárias enfrentadas pelo agora ex-ministro, fatores que vinham sendo apontados nos bastidores como determinantes para sua decisão de deixar o cargo.
Histórico de trocas no governo
Desde o início do atual mandato, o governo Lula acumulou uma sequência de substituições motivadas por crises políticas, denúncias, disputas com o Congresso e rearranjos na base aliada. No Ministério do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) deu lugar a Celso Sabino, que posteriormente também deixou a pasta. Já Ana Moser saiu do Ministério do Esporte para a entrada de André Fufuca (PP-MA), em movimento de aproximação com o Centrão.
Na área institucional, Flávio Dino deixou o Ministério da Justiça para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, abrindo espaço para Lewandowski, agora também fora do cargo. Outras mudanças relevantes ocorreram na Saúde, com a saída de Nísia Trindade e a nomeação de Alexandre Padilha (PT-SP), e na Secretaria de Relações Institucionais, que passou ao comando de Gleisi Hoffmann (PT-PR).
Também pesaram denúncias e investigações. Juscelino Filho (União Brasil-MA) deixou o Ministério das Comunicações após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República, enquanto Carlos Lupi (PDT-RJ) pediu demissão da Previdência em meio a um escândalo bilionário envolvendo aposentadorias do INSS.
Instabilidade no primeiro escalão
Com 15 trocas em pouco mais de dois anos de mandato, o governo Lula enfrenta críticas sobre a falta de estabilidade administrativa e a dificuldade de manter uma agenda consistente. Mesmo aliados reconhecem que o elevado número de mudanças transmite a imagem de um governo em permanente ajuste fino, pressionado por crises políticas, embates internos e negociações constantes com o Congresso.
A expectativa agora recai sobre o nome que Lula escolherá para substituir Lewandowski e se a nova indicação conseguirá reduzir o desgaste político e devolver previsibilidade a uma das pastas mais estratégicas do governo federal.
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