Primeiro-ministro da Alemanha promete reformas após eleições estaduais - 13 NEWS

Primeiro-ministro da Alemanha promete reformas após eleições estaduais

Num pronunciamento incomum feito logo após o encerramento da votação nos estados de Berlim e de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, prometeu neste domingo (20) reformas e anunciou que pretende continuar a governar o país.

“Assumo essa responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar. O que precisa ser feito agora exige coragem, firmeza e paciência. Vou demonstrar isso como presidente da CDU e, sobretudo, como chanceler federal do nosso país”, afirmou.

Merz reconheceu, diante dos resultados eleitorais, que o país se encontra em uma situação difícil, “mas assumimos essa responsabilidade”. Ele disse estar convencido de que o sucesso das reformas “não apenas melhorará nossa convivência, mas também nossa autoimagem e a imagem que o mundo tem de nós”.

Segundo Merz, a Alemanha é capaz de realizar reformas. “Vou ainda mais longe e digo que essas reformas são o antídoto contra o veneno autoritário que, impulsionado pelo fascínio pelo autoritarismo, está penetrando cada vez mais profundamente em nossa sociedade”, declarou.

Merz está sob pressão desde a vitória inédita, com uma votação de quase 44%, do partido da ultradireita e anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual da Saxônia-Anhalt.

Apesar do forte avanço da AfD em ambos os estados que foram às urnas neste domingo, a situação neles é diferente da verificada na Saxônia-Anhalt. Em nenhum deles a AfD deverá chegar ao governo, mesmo se vencer em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Isso porque os demais partidos, com exceção da pequena sigla antiwoke Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), rejeitam categoricamente uma coalizão com a ultradireita, e as pesquisas mostram que, tanto em Berlim como em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, deverá ser possível formar um governo sem a AfD.

Futuro político

As eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ultrapassaram, porém,  a relevância regional e são vistas como decisivas também para o futuro político de Merz, cuja popularidade está em baixa e que enfrenta um crescente questionamento dentro do seu próprio partido.

Assim como ocorreu há duas semanas na Saxônia-Anhalt, pesquisas de boca urna indicam que a conservadora União Democrata Cristã (CDU) terá votação desastrosa nas duas eleições estaduais realizadas neste domingo.

Pesquisas indicam que o partido, que hoje governa a cidade-estado de Berlim em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), deverá amargar nova queda na capital. A CDU deve alcançar cerca de 20% dos votos, cerca de oito pontos percentuais a menos do que no pleito passando, ficando atrás de A Esquerda.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, as pesquisas dão apenas 5,4% dos votos para a CDU. A sigla corre o risco de ficar de fora da Assembleia Legislativa, caso não alcance os 5% da cláusula de barreira.

No pronunciamento, Merz lamentou ainda o desastre eleitoral do seu partido em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

A atual situação é extremamente amarga para Merz, que, em novembro de 2018, quando disputava o posto de presidente da CDU, havia prometido que, sob sua liderança, o apoio eleitoral à AfD poderia ser reduzido pela metade. Na Saxônia-Anhalt aconteceu o contrário: a AfD dobrou sua votação. E pesquisas de boca de urna indicam um cenário semelhante em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde a sigla de ultradireita também pode ter dobrado seu eleitorado. Em Berlim, o partido também cresceu, podendo chegar a 15,7% dos votos. 

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