O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de emergência em todo o país na madrugada deste sábado, 20, em resposta aos bloqueios de rodovias que se estendem há mais de 50 dias e comprometem o abastecimento de combustíveis, alimentos e insumos hospitalares. Em pronunciamento à nação, o chefe do Executivo afirmou que a medida tem como objetivo restabelecer a circulação nas estradas e assegurar o funcionamento dos serviços essenciais.
“Este não é um estado de emergência para restringir a vida das pessoas. É um estado de emergência para restaurar a liberdade das pessoas”, declarou Rodrigo Paz durante o anúncio oficial.
Segundo o governo boliviano, a decisão foi tomada diante do agravamento da crise logística provocada pelos protestos, que mantêm dezenas de bloqueios em importantes rodovias do país. Caminhões-tanque permanecem parados nas estradas, dificultando a distribuição de combustíveis, enquanto hospitais enfrentam escassez de oxigênio medicinal e diversas regiões registram falta de alimentos.
O decreto presidencial proíbe novos bloqueios em ruas, avenidas, estradas e rodovias que prejudiquem o tráfego de pessoas e o abastecimento. A medida também autoriza o apoio temporário das Forças Armadas às operações da polícia para desobstrução das vias, manutenção da ordem pública e proteção da população.
De acordo com a Autoridade Rodoviária Boliviana, mais de 40 pontos de bloqueio continuam ativos em diferentes regiões. As cidades de La Paz e El Alto estão entre as mais afetadas, enfrentando dificuldades no fornecimento de combustíveis e produtos básicos.
A crise também tem provocado impactos humanitários. Informações da Defensoria Pública e de organizações de direitos humanos apontam que pelo menos 17 pessoas morreram desde o início dos protestos. A maioria dos óbitos estaria relacionada à falta de atendimento médico em consequência das interrupções no transporte e do bloqueio de acesso a unidades de saúde.
O governo informou que o estado de emergência poderá permanecer em vigor por até 90 dias, mas poderá ser revogado antes desse prazo caso cessem os bloqueios, os episódios de violência e as ameaças à população. Segundo o comunicado oficial, a medida não suspende garantias constitucionais, não restringe o devido processo legal e permite que a população mantenha normalmente suas atividades cotidianas.
A administração de Rodrigo Paz sustenta que o objetivo do decreto é garantir a retomada da circulação de mercadorias, preservar o abastecimento nacional e reduzir os impactos econômicos e sociais provocados pelos protestos que atingem o país há quase dois meses.
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