O número de postagens das lideranças políticas brasileiras identificadas com o uso de inteligência artificial dobrou, no período de 17 a 31 de julho, em relação a quinzena anterior. Segundo o monitoramento realizado pelo Instituto DX, foram feitas 6.022 publicações, que somaram cerca de 9,6 milhões de interações. Segundo Marcelo Alves, diretor de Metodologia e Inovação do instituto, o uso da IA foi identificado em postagens de políticos de todos os partidos, da esquerda a extrema-direita, e de Norte a Sul do país. Para Alves, o salto nesse tipo de postagem reforça que o Brasil terá, pela primeira vez na sua história, uma campanha dominada pelo uso do chamado conteúdo sintético.
O uso do IA não tem limites geográficos ou de ideologia partidária. Esses conteúdos sintéticos estão sendo usados por todos campos, especialmente, pelo barateamento que representa produção de imagens. A questão é que mesmo quando não estão propagando mentiras, muitas vezes o uso da inteligência artificial causa um deslocamento da realidade. É o caso de quando o político fala de uma obra e as imagens que usa para ilustrar não foram feitas lá, como era usual, mas foi construída pela tecnologia. Teremos no Brasil, a primeira campanha eleitoral dominada pela IA, o que imporá um desafio extra ao eleitor – avalia o diretor do Instituto DX.
Alves destaca que apesar dos dados apontarem um salto nas postagens usando IA, o número está subdimensionado. Isto porque, o monitoramento feito pelo instituto se restringe aos conteúdo rotulados, ou seja, que identificam o uso da tecnologia para produção do conteúdo.
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Essa pesquisa é sobre os conteúdos rotulados, ainda não avaliamos as postagens que apesar de usarem IA não identificam. Mas o fato é que o monitoramento já mostra a necessidade de azeitar a regra sobre a utilização da inteligência artificial, especialmente, na questão da responsabilização pelas postagens e sobre o rastreamento, que é de fato muito complexo.
No recorte partidário das postagens no Instagram, o levantamento identificou que o maior volume de uso de IA foi feito pelo PT, com 459 posts, seguido por PL (415), PSD (351) e MDB (343). Nas interações, o PL ocupou a primeira posição, com aproximadamente 21% do total partidário, à frente de PT (16%), PSOL (12%), Republicanos (10%) e PSD (7%). A publicação de maior repercussão foi de Michelle Bolsonaro, com cerca de 360 mil interações, em uma peça que sinalizava apoio a Flávio Bolsonaro e na qual o uso de IA ocorreu apenas na edição.
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O monitoramento indica que, entre as narrativas da direita, apareceram com maior frequência críticas ao governo Lula sobre gastos públicos, endividamento das famílias e das tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de publicações sobre segurança pública, classificação de facções como terroristas e supostas relações do PT com o escândalo do Banco Master. Também ganharam espaço conteúdos de divulgação de entregas de mandato, especialmente os vídeos de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) com imagens sintéticas, ou seja, produzidas por IA, para ilustrar obras e políticas públicas para o estado.
Já as publicações feitas pela esquerda, segundo o estudo do Instituto DX, foram mais fragmentadas tematicamente e se concentraram na apresentação de trajetórias políticas individuais e fortalecer os vínculos regionais dos candidatos. Entre as críticas a adversários, destacaram-se as referências às notas emitidas por Flávio Bolsonaro a empresas ligadas a Daniel Vorcaro e aos ataques de Javier Milei a Lula e Alexandre de Moraes. Nesses casos, a IA foi empregada principalmente na produção de peças cômicas e paródicas.
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Na análise das postagens com IA no TikTok, Tarcísio de Freitas e João Campos replicaram publicações do Instagram voltadas às entregas de mandato; entre os partidos, o PL produziu vídeos sintéticos de crítica a Lula, enquanto o PT utilizou principalmente imagens editadas, com IA empregada na montagem. No X, as imagens sintéticas tiveram função sobretudo ilustrativa em publicações sobre as tarifas dos Estados Unidos, discursos antivacina, as tensões entre Flávio e Michelle Bolsonaro, a desconfiança da direita em relação a Romeu Zema e as relações entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro.
Já no YouTube, o instituto informa que predominaram thumbnails, edições pontuais e apresentadores sintéticos, sem conteúdos de grande alcance nos quais a IA fosse determinante.
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