Petróleo dispara após ataque do Irã a Israel e mercado teme escalada da guerra no Oriente Médio

Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta neste domingo (7) após o Irã lançar mísseis contra Israel, ampliando os temores de uma escalada militar no Oriente Médio e aumentando a preocupação dos mercados com possíveis impactos sobre o abastecimento global de energia.

Por volta das 19h, no horário de Brasília, o petróleo Brent, referência internacional, avançava 3,6%, alcançando US$ 96,47 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), principal referência dos Estados Unidos, aproximava-se de US$ 94.

A reação do mercado ocorreu poucas horas após o governo iraniano promover o primeiro ataque direto contra Israel desde a entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e Líbano, anunciado em abril. O lançamento de mísseis foi interpretado por analistas como uma resposta ao bombardeio israelense realizado anteriormente contra posições ligadas ao Hezbollah nos arredores de Beirute, capital libanesa.

O conflito regional completa agora 100 dias sem qualquer sinal concreto de acordo definitivo de paz, aumentando a volatilidade nos mercados financeiros internacionais e elevando os riscos para a economia global.

Além do impacto geopolítico, investidores acompanham com atenção a situação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo do planeta. A região permanece sob forte influência iraniana e continua sendo considerada um dos pontos mais sensíveis para o comércio mundial de energia.

Apesar das preocupações, especialistas observam que os preços permanecem abaixo das projeções mais pessimistas feitas no início do conflito. Analistas chegaram a prever que o barril poderia atingir patamares entre US$ 150 e US$ 200 caso houvesse interrupções severas nas exportações da região.

Entre os fatores que ajudaram a conter uma disparada ainda maior dos preços estão o aumento das exportações de petróleo dos Estados Unidos, a utilização de reservas estratégicas por diversos governos e o enfraquecimento da demanda global por combustíveis em algumas economias.

No cenário político, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou em entrevista à emissora NBC que considera o governo iraniano “forte e orgulhoso”, ao comentar as dificuldades para avançar em negociações diplomáticas envolvendo o conflito.

Enquanto isso, os reflexos da guerra também atingem os mercados acionários. Na última sexta-feira, os principais índices de Wall Street encerraram a semana em queda, refletindo a preocupação dos investidores com a possibilidade de ampliação das hostilidades na região.

Em meio à crise, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados decidiram ampliar a produção em 188 mil barris por dia a partir do próximo mês. O grupo informou que continuará monitorando atentamente o comportamento do mercado e poderá ajustar sua estratégia conforme a evolução do conflito.

Analistas avaliam que os próximos dias serão decisivos para determinar se o aumento dos preços será temporário ou se poderá desencadear uma nova onda de pressão inflacionária sobre a economia mundial. Caso os confrontos avancem para rotas estratégicas de exportação de petróleo, os impactos poderão atingir combustíveis, transporte, alimentos e cadeias produtivas em diversos países.

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