A relação entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou novo capítulo após a divulgação de uma foto em que os dois aparecem juntos, sentados à mesma mesa, durante um encontro com charutos em Londres.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro e reveladas pelo Estadão mostram que o banqueiro teria procurado Gonet e o ministro Alexandre de Moraes para tentar conter investigações envolvendo negócios do Master. O advogado Ciro Soares aparece nas mensagens como intermediário entre Gonet e Vorcaro.
A foto foi enviada por Soares ao banqueiro em 19 de junho de 2025. Segundo o Estadão, o registro é de um evento realizado em 2024 e sua autenticidade foi confirmada. A defesa de Soares afirmou que não havia investigação contra Vorcaro na época e que não existia irregularidade no encontro.
Gonet reconheceu ter se encontrado com Vorcaro em Londres, em abril de 2024, mas negou manter relação de amizade ou possuir interesse pessoal nos processos envolvendo o empresário. Em manifestação ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, afirmou que não tinha qualquer relação de amizade com o banqueiro.
As mensagens, porém, mostram contatos posteriores. Em março de 2025, Soares intermediou uma ligação entre os dois. Depois, Gonet teria enviado mensagens dizendo estar “com saudade” de Vorcaro e afirmando estar “na torcida” por ele. Também teria feito referência a um futuro encontro com charutos e incluído seu filho nos planos de uma viagem a Londres.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal durante a análise das conversas de Vorcaro. O ministro André Mendonça, relator da investigação, afirmou que determinou a apuração das mensagens que citavam Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Durante a sessão, Mendonça e Gilmar Mendes protagonizaram um forte bate-boca. Gilmar defendeu Gonet e afirmou que as conversas não revelavam qualquer ilícito. Mendonça rebateu e posteriormente defendeu a criação de um código de ética para disciplinar a conduta dos ministros do STF.
A Ordem dos Advogados do Brasil também pediu que Gonet fosse substituído por outro integrante do Ministério Público na análise do caso, alegando possível suspeição. O procurador-geral não se declarou suspeito e afirmou que seus contatos com Vorcaro foram pontuais.
Outro ponto revelado pela investigação envolve a eleição para o comando do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União. Segundo mensagens analisadas pela Polícia Federal, Gonet teria atuado para favorecer Jarbas Soares Júnior, irmão de Ciro Soares, na disputa pelo cargo.
As mensagens indicam que Ciro pediu a Gonet que convencesse o então candidato Georges Seigneur a desistir da disputa e apoiar Jarbas. Segundo o relato enviado por Ciro a Vorcaro, Gonet teria feito o contato e Seigneur posteriormente retirou sua candidatura.
O caso segue sob análise das autoridades e envolve questionamentos sobre os contatos de Gonet com Vorcaro, a atuação do advogado Ciro Soares e o conteúdo das mensagens encontradas no celular do banqueiro.
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