Lula critica proposta de Trump para Ormuz e chama cobrança de 20% de “pirataria”

O presidente Lula da Silva (PT) criticou nesta segunda-feira a proposta anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pela principal rota marítima de exportação de petróleo do mundo. Durante evento em Mauá, no interior de São Paulo, Lula classificou a iniciativa como “pirataria” e afirmou que a medida poderá ampliar os impactos econômicos provocados pelo conflito no Oriente Médio.

Ao comentar o anúncio feito por Trump, Lula afirmou que os Estados Unidos não podem assumir uma postura de cobrança sobre uma rota internacional. Segundo o presidente brasileiro, o Estreito de Ormuz não estava bloqueado e a decisão de Washington representa uma mudança de posição em relação ao discurso adotado anteriormente pelos norte-americanos.

“Isso, antigamente, chamava-se pirataria”, declarou Lula. O presidente também afirmou que Trump “inventou essa guerra” e criticou a intenção de cobrar pela passagem de navios sob proteção militar americana, argumentando que esse tipo de iniciativa não é compatível com as normas do comércio internacional.

Lula voltou a demonstrar preocupação com os efeitos econômicos da escalada das tensões no Oriente Médio. Segundo ele, a alta do petróleo já pressiona os preços dos combustíveis e pode atingir diretamente o custo de alimentos no Brasil, como feijão, arroz, tomate e cebola, aumentando o risco de inflação e reduzindo o poder de compra da população.

O anúncio de Trump ocorreu horas depois de o presidente americano afirmar que os Estados Unidos passarão a atuar como “guardiões” do Estreito de Ormuz e que receberão uma compensação equivalente a 20% sobre todas as cargas transportadas pela hidrovia, sob o argumento de custear a segurança da região. A proposta ainda não teve detalhes operacionais divulgados pelo governo americano.

As declarações também provocaram reação imediata do Irã. O comando militar iraniano afirmou que não permitirá qualquer interferência dos Estados Unidos na administração do Estreito de Ormuz e advertiu que responderá de forma firme a qualquer tentativa de controlar a navegação sem autorização de Teerã. As autoridades iranianas também acusaram Washington de aumentar os riscos para a estabilidade regional e para o comércio internacional.

Considerado um dos corredores marítimos mais estratégicos do planeta, o Estreito de Ormuz concentra uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo e gás natural. Qualquer alteração nas condições de navegação da região costuma provocar forte reação dos mercados internacionais, influenciando os preços da energia, dos combustíveis e de diversas commodities em todo o mundo.

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