A Marinha do Irã disparou mísseis contra um navio de guerra americano que tentava cruzar o Estreito de Ormuz, afirmaram fontes locais à agência de notícias Fars nesta segunda-feira (4), em um momento em que Washington e Teerã voltaram a trocar ameaças de ações unilaterais para manter o bloqueio ou liberar a passagem de embarcações na região. O governo dos EUA negou. O Irá não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas o portal de notícias americano Axios citou um alto funcionário dos EUA rejeitando que uma embarcação militar do país tivesse sido atingida.
O relato publicado pela Fars afirma que os iranianos dispararam dois mísseis contra uma fragata americana que navegava por Ormuz perto da ilha Jask. O caso foi considerado uma “violação da segurança do tráfego e da navegação”.
O incidente acontece horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar no domingo que a Marinha dos EUA iria escoltar navios represados no estreito desde o começo da guerra com o Irã. O republicano não deu detalhes de como o plano, chamado por ele de Projeto Liberdade, seria de fato executado, mas disse que começaria nesta segunda-feira.
“Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam continuar seus negócios livremente e com eficiência”, escreveu Trump na Truth Social. “Este processo, Projeto Liberdade, terá início na manhã de segunda-feira, horário do Oriente Médio.”
O comando militar do Irã respondeu que atacaria caso militares dos EUA entrassem em Ormuz após a ameaça de Trump. A sinalização mostrou que os estrategistas militares em Teerã não estão dispostos a abrir mão do controle da passagem estratégica por onde transitavam 20% do petróleo e gás natural produzidos no mundo antes da guerra.
“Anunciamos que qualquer armada de força estrangeira — especialmente as forças militares agressivas dos Estados Unidos — será alvo de ataques se pretender entrar no estreito de Ormuz”, declarou o general Ali Abdollahi, do comando central do Exército iraniano, em comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB. “Afirmamos reiteradas vezes que a segurança do estreito de Ormuz está sob o controle das Forças Armadas da República Islâmica do Irã e que, em qualquer circunstância, qualquer passagem segura deve ser coordenada com essas forças”.
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