O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, homenageou neste domingo (9) os sobreviventes do ataque atômico contra Nagasaki, no Japão, ocorrido há 81 anos. Em mensagem de tributo às vítimas, o chefe das Nações Unidas destacou a capacidade dos hibakusha, nome dado aos sobreviventes das bombas atômicas, de transformar uma experiência de destruição em uma mensagem de resiliência, reconciliação e esperança.
O ataque contra Nagasaki ocorreu em 9 de agosto de 1945, três dias depois de Hiroshima também ser atingida por uma bomba atômica. Os dois ataques marcaram a história ao provocar uma devastação em escala inédita e consolidaram o debate internacional sobre os riscos das armas nucleares.
Para Guterres, a memória dos sobreviventes permanece fundamental diante do atual cenário internacional. Segundo o secretário-geral, o mundo atravessa um período de profundas tensões geopolíticas e não deveria aceitar como normal a existência de uma ameaça nuclear permanente.
Nagasaki como alerta para o mundo
Na mensagem, Guterres afirmou que Nagasaki representa simultaneamente um alerta e um guia para a humanidade. A cidade, segundo ele, demonstra que é possível transformar uma tragédia histórica em um compromisso permanente com a paz.
O secretário-geral defendeu que a segurança internacional não seja baseada no medo provocado por arsenais nucleares, mas em confiança, diálogo, cooperação e diplomacia.
A ONU também tem chamado atenção para o cenário de aumento das tensões militares. Dados apresentados pela organização apontam que os gastos militares globais alcançaram US$ 2,9 trilhões em 2025, enquanto os riscos relacionados às armas nucleares continuam preocupando a comunidade internacional.
Hibakusha mantêm viva a memória
Os hibakusha desempenham papel central na preservação da memória dos ataques de Hiroshima e Nagasaki. Ao longo das décadas, sobreviventes passaram a relatar suas experiências e a defender medidas voltadas à eliminação das armas nucleares.
A própria ONU reconhece a importância desses testemunhos para o debate sobre desarmamento. Documentos da organização registram o apelo histórico dos sobreviventes de Nagasaki para que a cidade permaneça como a última vítima de uma bomba atômica.
Guterres ressaltou que a experiência dos sobreviventes ultrapassa a lembrança das vítimas e se transforma em uma mensagem para as novas gerações. Para ele, a resiliência demonstrada pelos hibakusha deve inspirar esforços para impedir que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.
ONU defende diplomacia contra ameaça nuclear
A manifestação ocorre em um momento em que as Nações Unidas alertam para o enfraquecimento de mecanismos internacionais de controle de armas e para o aumento da desconfiança entre potências.
Em mensagem relacionada aos 81 anos do ataque a Hiroshima, a alta representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu, afirmou que a divisão geopolítica, a desconfiança e a competição militar estão pressionando as normas que ajudaram a evitar uma catástrofe nuclear. Ela defendeu diálogo, cooperação internacional e redução dos riscos associados aos arsenais nucleares.
Ao lembrar Nagasaki, Guterres reforçou a defesa de um futuro em que a paz seja sustentada por um propósito comum, e não pelo temor de uma nova utilização de armas nucleares.
A mensagem da ONU mantém os hibakusha no centro dessa reflexão, enquanto o mundo marca 81 anos desde o ataque que transformou Nagasaki em um dos principais símbolos da luta pelo desarmamento nuclear.
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