CadEJA reúne informações sobre vagas, permitindo que pessoas com 15 anos ou mais registrem o interesse em concluir os estudos, facilitando o acesso à matrícula em todo o País
O Brasil ainda tem 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade não alfabetizadas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2024. Como forma de centralizar e facilitar o acesso da população que não concluiu os estudos na idade adequada à educação básica, o Governo do Brasil lançou uma ferramenta inédita para identificar e organizar a demanda por Educação de Jovens e Adultos (EJA).
É o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma que reúne informações sobre vagas, permitindo que pessoas com 15 anos ou mais registrem o interesse em concluir os estudos, facilitando o acesso à matrícula em todo o País.
“O CadEJA cumpre uma função primordial dentro da educação de jovens e adultos. Porque a educação de jovens e adultos, para você ter sucesso nela, precisa incidir sobre a oferta e a demanda. E boa parte do público da EJA, sobretudo as pessoas não alfabetizadas, mas no grupo dos idosos, eles têm muita dificuldade de procurar escola para matrícula. E, por outro lado, nas redes de ensino, você tem pouca busca ativa, pouco chamamento público”, destacou a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (MEC), Zara Figueiredo, em entrevista à Voz do Brasil, desta terça-feira (7/4).
Confira a entrevista completa:
Tendo em vista as dificuldades que o público alvo da plataforma pode encontrar, o CadEJA conta com um sistema simplificado. O processo de cadastro pode ser feito diretamente na ferramenta, inclusive com auxílio por áudio. Após o registro, as redes de ensino analisam as informações e buscam a melhor oferta para cada interessado, considerando preferências como turno e localização. Em seguida, o estudante é contatado e orientado sobre os próximos passos para efetivar a matrícula.
De acordo com a secretária, garantir facilidade no acesso é estratégico.
E a simplicidade do sistema é parte da estratégia da política. Então, ele é muito simples. A pessoa, se ela não tiver nenhuma alfabetização, ela pode recorrer alguém da confiança dela para ajudar a preencher o cadastro. Se ela não tem alguém de confiança ao lado, nós temos um conjunto de articuladores da própria política da EJA que pode ajudar”, afirmou.
Zara Figueiredo explicou ainda que os interessados podem contar com agentes do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), de sua cidade ou município caso precisem de ajuda.
A secretária destacou que, além de auxiliar aqueles que desejam concluir os estudos, o CadEJA permite identificar a demanda por região com mais precisão, integrar dados de diferentes áreas e acompanhar a relação entre procura e disponibilidade, contribuindo para um planejamento mais eficiente das redes de ensino.
“Um estudante em potencial da EJA, independente de onde ele esteja, se na casa dele ou no local de trabalho, ele vai poder acionar esse painel e, desejando voltar a estudar, fazer a inscrição dentro desse cadastro, de forma simples, de forma bastante tranquila para ele”, afirmou.
E, ao mesmo tempo, esse dado que ele preencher vai alimentar as redes de ensino. Portanto, as redes de ensino, elas saberão qual é a demanda por oferta da EJA em determinada região”, destacou Zara Figueiredo.
Até então, não havia um canal digital ou físico centralizado para esse registro, o que fazia com que a busca por estudantes dependesse, muitas vezes, da atuação direta de educadores nas comunidades.
Pacto Nacional
A plataforma integra o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), política que tem como objetivo ampliar a escolaridade da população que não concluiu os estudos na idade adequada, ao mesmo tempo em que fortalece a oferta dessa modalidade em todo o território nacional.
Ao longo de 2025, o Pacto EJA já beneficiou mais de 200 mil pessoas em ações de alfabetização e contou com a atuação de 80 mil profissionais em iniciativas de formação. A previsão é de que, até 2027, sejam investidos R$ 4 bilhões na superação do analfabetismo entre jovens e adultos no Brasil.