Flávio Bolsonaro vê reajuste do Bolsa Família por Lula como armadilha eleitoral - 13 NEWS

Flávio Bolsonaro vê reajuste do Bolsa Família por Lula como armadilha eleitoral

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu não recorrer à Justiça Eleitoral contra o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Lula da Silva (PT). Segundo o Valor, integrantes do núcleo da campanha consideram a medida uma possível “armadilha” e avaliam que uma reação judicial poderia acabar favorecendo o adversário na reta final.

O reajuste de 15,04% eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777. O anúncio ocorreu em 17 de setembro, apenas 17 dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

A avaliação da equipe de Flávio, segundo o jornal, é que uma ação no Tribunal Superior Eleitoral não produziria efeitos antes da votação e poderia abrir espaço para que a campanha de Lula apresentasse o senador como contrário a programas sociais.

Estratégia é manter Bolsa Família

Flávio tem afirmado que pretende manter o Bolsa Família caso seja eleito e que o reajuste anunciado pelo governo será preservado.

Em discurso na Bahia e posteriormente em transmissão pelas redes sociais, o candidato criticou o momento escolhido para o anúncio e questionou o impacto eleitoral da medida. Ao mesmo tempo, afirmou que os beneficiários do programa não terão o benefício retirado em um eventual governo seu.

A campanha também descartou, por enquanto, a possibilidade de apresentar uma proposta própria para elevar o valor do programa acima do reajuste anunciado pelo governo.

O núcleo político do senador trabalha ainda para lembrar que o benefício mínimo de R$ 600 foi estabelecido durante o governo Jair Bolsonaro, quando o programa se chamava Auxílio Brasil. Em 2022, a administração anterior também adotou medidas de ampliação de benefícios sociais durante o período eleitoral, por meio da Emenda Constitucional 123.

Datafolha mostra disputa apertada

A decisão de não judicializar o reajuste ocorre em um momento de crescimento de Flávio nas pesquisas do Datafolha.

No levantamento divulgado em 17 de setembro, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio chegou a 36%. Na pesquisa anterior, os dois tinham 39% e 35%, respectivamente.

No segundo turno, Lula registra 46% contra 44% de Flávio. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico.

Os números reforçaram a estratégia de Flávio de buscar votos entre eleitores que apoiam outros candidatos de oposição ao atual presidente. O senador passou a defender publicamente o chamado voto útil, numa tentativa de ampliar sua votação já na primeira rodada.

Ação de Zé Trovão foi rejeitada

A campanha de Flávio também se distanciou da iniciativa do deputado federal Zé Trovão (PL-SC), que apresentou uma representação contra o reajuste do Bolsa Família no TSE.

O ministro André Mendonça extinguiu a ação em 17 de setembro sem analisar o mérito. Segundo a decisão, o deputado não tinha legitimidade para questionar uma medida relacionada à eleição presidencial, pois disputa uma vaga para a Câmara dos Deputados em uma circunscrição eleitoral diferente.

Assim, apesar das críticas ao momento do reajuste, a campanha de Flávio optou por não transformar o aumento do Bolsa Família em uma disputa judicial própria. A estratégia definida pelo grupo é manter o discurso de preservação do programa e concentrar os esforços na disputa eleitoral das próximas semanas.

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