Plataformas internacionais de mercados de previsão indicavam neste domingo (20) uma vantagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o presidente Lula da Silva (PT) nas estimativas relacionadas à eleição no dia 4 de outubro. Na Kalshi, Flávio aparecia com 59% e Lula com 42%, enquanto a Polymarket registrava 58% e 42%, respectivamente.
Os números, porém, não representam intenção de voto nem equivalem a pesquisas eleitorais. Nessas plataformas, usuários negociam contratos vinculados à possibilidade de determinados eventos ocorrerem, e os preços são influenciados pela oferta e demanda. Não há amostra representativa de eleitores, entrevistas com metodologia estatística ou margem de erro comparável às pesquisas tradicionais.
O cenário também difere dos levantamentos eleitorais divulgados recentemente. No Datafolha de 17 de setembro, Lula registrou 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No segundo turno, o levantamento apontou 46% para o presidente e 44% para o senador.
Já a pesquisa Atlas/Bloomberg, registrada no TSE sob o número BR-06221/2026, mostrou Lula com 44,1% e Flávio com 41,7% no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Flávio apareceu com 47,2% e Lula com 46,8%, diferença dentro da margem de erro de um ponto percentual.
Como funcionam os mercados de previsão
Kalshi e Polymarket funcionam de maneira diferente dos institutos de pesquisa. Os participantes negociam contratos relacionados a eventos futuros, e os preços desses contratos são utilizados pelas plataformas para calcular probabilidades implícitas.
Por isso, os percentuais divulgados podem oscilar rapidamente conforme novas informações, volume de negociações e comportamento dos participantes. Eles não permitem concluir, por si só, qual candidato possui maior intenção de voto entre os eleitores brasileiros.
Restrição no Brasil
O funcionamento desses mercados também enfrenta restrições regulatórias no país. A Resolução CMN nº 5.298, de 24 de abril de 2026, trata da organização e do funcionamento do mercado de derivativos e estabeleceu restrições a contratos vinculados a determinados eventos, incluindo temas políticos. O Ministério da Fazenda também publicou nota técnica sobre a exploração de mercados de previsão no país.
Em abril, a Anatel informou ter iniciado o bloqueio de plataformas de apostas preditivas após determinação do Ministério da Fazenda. Segundo o órgão, a medida alcançou sites que ofereciam contratos relacionados a eleições e outros eventos não permitidos pela legislação brasileira.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por sua vez, vem acompanhando o debate regulatório sobre mercados preditivos. Em agosto, o diretor João Accioly afirmou que a eventual regulação do segmento precisa considerar mecanismos de proteção aos participantes e os riscos envolvidos nessas operações.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação