A estratégia de comunicação conduzida pelo publicitário João Santana para a campanha de ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia começa a ganhar forma nas ruas e nas redes sociais. O principal movimento é simples, mas calculado, transformar ACM Neto em “Neto”, aproximando o candidato do eleitor baiano e reduzindo a associação direta com o sobrenome que marcou a história política de sua família.
A mudança já aparece em peças oficiais, adesivos, convites e materiais digitais. Em vez de destacar “ACM”, a campanha passou a utilizar expressões como “Agenda de Neto” e “Tô com Neto”, com o nome “Neto” ocupando posição de maior destaque. O próprio candidato confirmou que a escolha foi pensada por João Santana.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de humanização da imagem do candidato, com maior presença junto à população, à cultura baiana e em momentos de contato direto com o público. Segundo o BNews, a equipe de Santana vem trabalhando justamente para aproximar o ex-prefeito de Salvador da cultura popular do estado.
Neto mais próximo do povo baiano
Nas agendas de campanha, a imagem buscada é a de um candidato mais acessível, com registros ao lado de baianos durante eventos, caminhadas, encontros políticos e momentos de chegada e saída das atividades.
A estratégia procura mostrar Neto não apenas em palanques ou discursos, mas também no meio do povo, conversando, cumprimentando apoiadores e interagindo diretamente com eleitores.
A mudança na comunicação também acompanha uma tentativa de ampliar o alcance do candidato para além de Salvador e fortalecer a presença no interior. Análises publicadas apontam que a retirada do “ACM” pode ajudar a alcançar eleitores que não possuem uma identificação histórica com o carlismo.
João Santana muda a marca da campanha
A reformulação representa uma mudança em relação às campanhas anteriores. Em 2012 e nos pleitos seguintes, a comunicação explorou de maneira mais evidente a ligação de ACM Neto com o legado de Antônio Carlos Magalhães.
Agora, a lógica é diferente. O nome “Neto” aparece maior, enquanto “ACM” fica reduzido ou sequer aparece em determinadas peças.
O movimento não é casual. A estratégia coordenada por João Santana busca ampliar o alcance eleitoral do candidato, especialmente em regiões onde a marca histórica da família Magalhães pode produzir efeitos diferentes daqueles observados em Salvador.
Estratégia também aposta na cultura baiana
Outro eixo do trabalho de Santana é aproximar Neto de elementos populares da Bahia. As primeiras peças produzidas pela equipe já utilizaram referências da cultura local, incluindo uma adaptação do jingle “Dalê” em ritmo de pagodão baiano, interpretada pelos cantores O Poeta e Ruivinha.
A proposta é construir uma comunicação menos tradicional e mais conectada ao cotidiano do eleitor, combinando identidade visual, música, linguagem popular e presença física nas ruas.
A nova marca também foi apresentada oficialmente pelo candidato como uma escolha associada à ideia de mudança e de futuro para a Bahia. Segundo Neto, a construção foi resultado de um trabalho planejado por Santana.
Pesquisas reforçam estratégia
A mudança na comunicação ocorre em um momento de forte competitividade na disputa pelo Palácio de Ondina. Levantamentos divulgados ao longo de 2026 têm mostrado Neto e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) em cenário de disputa acirrada, com variações conforme o instituto e o cenário testado.
Na leitura da campanha, a combinação entre uma imagem mais popular, a presença nas ruas e uma comunicação menos associada ao sobrenome ACM busca ampliar a capacidade de diálogo com diferentes segmentos do eleitorado baiano.
A estratégia de Santana, portanto, vai muito além da mudança na identidade visual. O objetivo é reposicionar o candidato, consolidar a marca “Neto”, aproximá-lo do eleitor baiano e transformar cada encontro com a população em parte da comunicação eleitoral. E, até aqui, a estratégia parece estar funcionando, com Neto ganhando cada vez mais espaço, força e identificação junto ao eleitorado baiano.
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