Corrida global por minerais críticos atrai bilhões e coloca Brasil no centro da disputa entre EUA e China

A crescente disputa global por minerais críticos utilizados em tecnologias de ponta, energias renováveis e equipamentos estratégicos está transformando o Brasil em um dos principais alvos de investimentos internacionais no setor de mineração. Em meio ao esforço dos Estados Unidos e da Europa para reduzir a dependência da China, aumentam as fusões, aquisições e parcerias envolvendo ativos minerais brasileiros.

A movimentação ocorre em um cenário de forte valorização de recursos considerados essenciais para a transição energética, como terras raras, cobre, lítio, níquel, cobalto e alumínio. Esses minerais são fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, baterias, semicondutores e até equipamentos de defesa.

Com uma das maiores reservas minerais do planeta, o Brasil passou a ocupar posição estratégica no tabuleiro geopolítico internacional. O interesse de grandes grupos globais se intensificou especialmente após o agravamento das tensões comerciais entre Washington e Pequim, que ampliaram as preocupações dos países ocidentais sobre a segurança de suas cadeias de suprimentos.

Dados de estudo da KPMG apontam que as operações de fusões e aquisições no setor mineral brasileiro cresceram 56% no primeiro semestre de 2025, saltando de nove para quatorze transações. Grande parte desse movimento está concentrada justamente em ativos ligados aos chamados minerais críticos.

Entre os negócios mais relevantes anunciados recentemente está a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde pela empresa norte-americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões. Localizada em Goiás, a Serra Verde opera uma das mais importantes minas de terras raras fora da Ásia e possui capacidade de produção em escala comercial de elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

O avanço dos investimentos também é observado em outras grandes operações internacionais. Neste ano, a anglo-australiana Rio Tinto concluiu a compra da Arcadium Lithium por US$ 6,7 bilhões e voltou a analisar uma possível fusão com a Glencore, gigante do setor de commodities minerais. Caso concretizada no futuro, a operação poderá criar uma companhia avaliada em cerca de US$ 260 bilhões.

Segundo especialistas do setor, a corrida por ativos minerais está sendo impulsionada pela busca por portfólios mais robustos, redução de riscos operacionais e ampliação da participação em mercados considerados estratégicos para as próximas décadas.

Outro fator que favorece o Brasil é a preferência dos investidores por projetos chamados de “brownfield”, aqueles que já estão em operação ou possuem infraestrutura instalada. A estratégia reduz riscos e encurta prazos de produção, especialmente em um ambiente global marcado por exigências ambientais cada vez mais rigorosas.

Empresas nacionais também buscam aproveitar o momento. A Terra Brasil Minerals procura parceiros para um projeto estimado em US$ 1 bilhão voltado à exploração de terras raras e fertilizantes em Minas Gerais. Já a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), controlada pelo Grupo Votorantim, vendeu participação relevante de suas operações para uma joint venture formada pela chinesa Chalco e pela Rio Tinto, em uma transação avaliada em R$ 4,689 bilhões.

Apesar do forte interesse internacional, especialistas alertam para desafios importantes. A China continua dominando aproximadamente 90% do processamento mundial de terras raras, mantendo ampla vantagem industrial sobre concorrentes ocidentais. Além disso, a implantação de plantas de separação e refino exige investimentos elevados e enfrenta obstáculos regulatórios, ambientais e logísticos.

Para analistas do mercado mineral, a tendência é que o número de operações de fusões e aquisições se torne mais seletivo nos próximos anos. Em contrapartida, os negócios deverão movimentar volumes financeiros cada vez maiores, refletindo a crescente importância estratégica dos minerais críticos para a economia global.

Com reservas abundantes e crescente interesse de investidores internacionais, o Brasil consolida sua posição como um dos protagonistas da nova corrida mundial por recursos minerais considerados essenciais para o futuro da indústria, da tecnologia e da segurança energética.

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