Banco Master patrocinou eventos com ministros do STF e ampliou suspeitas sobre proximidade institucional

A atuação do Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, voltou ao centro do debate político e jurídico após a revelação de uma série de eventos patrocinados pela instituição que reuniram ministros do Supremo Tribunal Federal, integrantes do Ministério Público e autoridades do governo federal. A ofensiva de aproximação institucional ocorreu segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, ao longo dos últimos três anos, período em que o banco acumulou disputas bilionárias e investigações que acabaram chegando ao STF.

Entre os participantes dos encontros patrocinados pelo Master estiveram quatro ministros da atual composição da Corte, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Luiz Fux, além dos ministros aposentados Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, hoje ministro da Justiça do governo Lula. Também marcaram presença o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para uma vaga no Supremo.

Processos no STF e clima de constrangimento

O episódio ganhou contornos ainda mais sensíveis porque o caso envolvendo o Banco Master e a tentativa frustrada de venda para o Banco de Brasília acabou concentrado no STF após decisão liminar de Dias Toffoli. A medida levou à suspensão de apurações em outras instâncias, impôs sigilo ao processo e transferiu para a Corte a análise de suspeitas de fraude estimadas em mais de R$ 12 bilhões.

Nos bastidores do Congresso e do Judiciário, a sequência de eventos patrocinados pelo banco passou a ser vista como fator de constrangimento institucional, sobretudo pela coincidência entre a agenda de fóruns internacionais e a tramitação de processos sensíveis envolvendo a instituição financeira.

Fóruns internacionais e relações políticas

Entre 2022 e 2025, o Master esteve associado a pelo menos seis eventos no Brasil e a diversos encontros no exterior, em cidades como Nova York, Roma, Londres, Paris e Cambridge, nos Estados Unidos. Em vários deles, Daniel Vorcaro figurou como palestrante ao lado de autoridades brasileiras.

Em um dos fóruns realizados em Roma, Vorcaro dividiu mesa com o deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), o empresário Eugenio Mattar e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), amigo pessoal do banqueiro. Em outros eventos, ministros do STF foram os únicos representantes da Corte, reforçando a percepção de proximidade direta entre o banco e o Judiciário.

Gilmar Mendes e Dias Toffoli participaram de encontros patrocinados pelo Master enquanto recursos do banco tramitavam em seus gabinetes. No caso de Gilmar, um recurso extraordinário discutia a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, tema de alto impacto financeiro para a instituição.

Viagens, jantares e contratos

A controvérsia se ampliou com a revelação de viagens e encontros privados envolvendo personagens centrais do caso. Toffoli chegou a dividir um voo em jatinho particular com o advogado Augusto Arruda Botelho para acompanhar a final da Libertadores, em Lima. Botelho atua na defesa de um dos executivos do banco investigados em operação policial.

Além disso, o Master bancou jantares de ministros do STF em eventos realizados em Nova York e Paris, em restaurantes de alto padrão, e foi patrocinador de conferências acadêmicas e empresariais frequentadas por integrantes da cúpula do Judiciário.

Outro ponto sensível segundo reportagem do Estadão, envolve um contrato firmado entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O acordo previa atuação em órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso, com valores que poderiam ultrapassar R$ 100 milhões ao longo de três anos, caso fosse integralmente executado.

Respostas e silêncio

Procurados, apenas Luiz Fux e Jorge Messias se manifestaram publicamente. Ambos afirmaram que participaram dos eventos a convite de universidades ou organizadores acadêmicos, e não do banco patrocinador. Já os demais ministros citados não comentaram.

Grupos organizadores dos fóruns sustentam que atuam de forma independente e republicana, e evitam divulgar detalhes financeiros por razões de compliance. Ainda assim, a sucessão de encontros, patrocínios e coincidências processuais alimenta críticas sobre a relação entre grandes interesses privados e as mais altas instâncias do poder no país.

No ambiente político, o caso reforça a percepção de promiscuidade institucional e amplia a pressão por mais transparência nas relações entre bancos, empresários e o Judiciário, especialmente quando processos bilionários estão em jogo no Supremo Tribunal Federal.

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