Aliados de Tarcísio veem candidatura de Flávio Bolsonaro como movimento tático, não definitivo

Nos bastidores da política nacional, a declaração de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre ter sido “ungido” pelo pai como herdeiro político provocou mais perplexidade do que entusiasmo. Entre aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a avaliação é de que o gesto do senador está longe de consolidar uma candidatura presidencial em 2026 e soa mais como manobra tática do clã Bolsonaro num momento de fragilidade.

Segundo interlocutores próximos ao governador paulista, Tarcísio foi avisado por Flávio na véspera do anúncio, mas ainda assim recebeu a guinada com surpresa. No último encontro com Jair Bolsonaro, no fim de setembro, o cenário discutido era outro: Flávio planejava buscar nova vaga no Senado, enquanto Michelle Bolsonaro era tratada como possível vice numa eventual chapa presidencial apoiada pela direita.

Apesar do evidente desconforto com a mudança súbita, o entorno de Tarcísio avalia que o jogo está longe de estar decidido. Para eles, a fala pública de Flávio, na qual menciona a “missão de dar continuidade ao projeto de nação” do pai, mas não cita expressamente candidatura ao Planalto, deixou margem para recuos futuros.

Movimento para manter o clã no comando da direita

A avaliação entre aliados do governador é que Jair Bolsonaro, preso e enfrentando desgaste político, tenta garantir que o protagonismo da direita permaneça sob controle familiar. O recado serviria também para conter o avanço de Michelle, que vinha se articulando para assumir a liderança do campo bolsonarista.

Além disso, a “pré-candidatura” de Flávio teria um papel estratégico: pressionar o Centrão, especialmente lideranças como Hugo Motta, a acelerar a pauta da anistia em troca da unidade da direita. Tudo isso mantendo aberta a possibilidade de uma futura composição de chapa, seja com o próprio Flávio numa vice, seja com outro nome apadrinhado pelo ex-presidente.

A única certeza no grupo político do governador é categórica. Tarcísio não disputará a Presidência contra um Bolsonaro. Isso significa que seu destino político em 2026 dependerá de um rearranjo interno no bolsonarismo que atenda ao clã, preserve sua influência e defina um caminho de consenso, e claro, vençam o PT e Lula.

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