Alcolumbre critica pressão por votação de PECs e diz que Senado não vai pautar “textos eleitoreiros”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) afirmou nesta terça-feira (30) que não pretende pautar propostas de forte apelo eleitoral sob pressão de autoridades ou de manifestações públicas. Durante discurso no plenário, o senador criticou o que classificou como “ataques” à presidência da Casa e voltou a evitar a definição de um calendário para a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1.

Segundo Alcolumbre, a PEC do fim da escala 6×1 tornou-se o principal foco de pressão sobre o Senado. O parlamentar afirmou que autoridades têm utilizado eventos públicos para responsabilizá-lo pela demora na tramitação da proposta e disse ser contrário à votação de matérias que, em sua avaliação, possam ser utilizadas com finalidade eleitoral às vésperas da campanha de 2026.

Durante o pronunciamento, o presidente do Senado fez referência indireta às críticas da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que, durante a 30ª Parada do Orgulho LGBT+, afirmou que Alcolumbre estaria impedindo o avanço da PEC da jornada de trabalho e puxou o coro de “Fora, Alcolumbre”. O senador reagiu dizendo que esse tipo de manifestação representa uma forma de ameaça política.

“Não seria um argumento ou um artifício dizer: estou te ameaçando porque, se você não votar, vai ficar contra 37 milhões de trabalhadores que querem um dia a mais de descanso. Isso é uma ameaça em cima de um trio elétrico”, declarou.

Na sequência, Alcolumbre afirmou que interpreta as críticas como parte de uma estratégia eleitoral.

“Se é ‘Fora, Alcolumbre’, essa autoridade talvez não esteja pensando nos trabalhadores. Talvez esteja pensando em eleição”, disse o presidente da Casa.

O senador também criticou campanhas que, segundo ele, buscam associar o Legislativo à imagem de “Congresso Inimigo do Povo”. Sem citar nomes, afirmou acompanhar a disseminação desse discurso e comparou os ataques atuais às críticas dirigidas anteriormente contra outras instituições da República.

“Quando outras autoridades subiam em trio elétrico para ofender as instituições, diziam que estavam atentando contra o Estado Democrático. Hoje, os mesmos trios elétricos são usados para ofender o Senado. Isso eu não vou aceitar”, afirmou.

As declarações ocorreram em meio às cobranças do governo federal e de parlamentares aliados pela tramitação de propostas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto, entre elas a PEC do fim da escala 6×1 e outras matérias de interesse do Executivo. Horas antes do discurso, Alcolumbre recebeu a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), mas evitou assumir qualquer compromisso sobre datas para apreciação das propostas apresentadas pela articulação política do governo.

Ao encerrar o pronunciamento, o presidente do Senado reafirmou que seguirá o rito legislativo previsto para cada matéria e que não permitirá que a definição da pauta da Casa seja conduzida por pressões externas ou por interesses relacionados ao calendário eleitoral.

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