O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou forte crescimento nas denúncias de assédio eleitoral nas semanas que antecedem o primeiro turno das eleições de 2026. Até 24 de setembro, eram 583 denúncias em todo o país, segundo dados divulgados pelo órgão. O Sudeste concentrava 207 registros, seguido pelo Nordeste, com 144.
O número ainda está distante do total registrado durante toda a eleição de 2022, quando o MPT recebeu 3.371 denúncias. Naquele pleito, muitos registros foram apresentados depois da votação, quando trabalhadores ou testemunhas decidiram comunicar as ocorrências.
A prática é caracterizada por coação, ameaça, intimidação, constrangimento ou promessa de vantagem relacionada à escolha política de trabalhadores. Entre os exemplos estão ameaças de demissão, perseguição por posicionamento político, exigência de participação em atos de campanha e tentativa de interferir no voto por meio da relação hierárquica.
Estados com mais denúncias
Os dados divulgados pelo MPT mostram concentração dos registros em grandes estados e regiões com maior população. Em levantamento anterior, atualizado em 16 de setembro, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal apareciam nas primeiras posições, seguidos por Pará, Paraná, Bahia, Pernambuco, Mato Grosso e Ceará.
Em 2026, o crescimento das ocorrências também tem levado o MPT a ampliar ações preventivas em conjunto com a Justiça Eleitoral, a Justiça do Trabalho e o Ministério Público Eleitoral. Em agosto, as instituições firmaram a campanha nacional “No Meu Voto Mando Eu”, voltada à proteção da liberdade de escolha dos trabalhadores.
O MPT ressalta que a conversa política, por si só, não configura assédio eleitoral. A irregularidade ocorre quando uma relação de poder é utilizada para pressionar ou constranger o trabalhador e interferir em sua liberdade de escolha. Denúncias podem ser encaminhadas ao próprio Ministério Público do Trabalho, inclusive com possibilidade de preservação da identidade do denunciante.
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