A trajetória de Odisseu, personagem central da Odisseia, de Homero, serviu de metáfora para discutir os desafios e os caminhos dos Tribunais de Contas no Brasil durante a abertura do Encontro Nacional de Corregedorias, Controles Internos e Ouvidorias dos Tribunais de Contas, o ENCCO 2026, em Florianópolis.
A palestra de abertura foi conduzida pelo conselheiro Valdecir Pascoal, do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que relacionou a obra literária aos desafios enfrentados atualmente pelas instituições de controle. Entre os temas abordados estiveram o consensualismo, o uso da inteligência artificial, a eficiência das políticas públicas e a necessidade de fortalecer a confiança da sociedade nas instituições.
Realizado entre quarta-feira (23) e esta sexta-feira (25), no Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), o encontro reúne conselheiros, servidores, gestores e especialistas de diferentes regiões do país. A edição de 2026 tem como tema “Governança, Integridade, Participação e Controle Social: o futuro do controle no Brasil” e busca ampliar a integração entre corregedorias, ouvidorias e unidades de controle interno.
Durante a palestra, Pascoal destacou que os Tribunais de Contas precisam combinar controle, prevenção, transparência e avaliação de resultados. Segundo o conselheiro, o avanço tecnológico, incluindo a inteligência artificial, pode contribuir para tornar o controle mais efetivo, desde que acompanhado de critérios, transparência e responsabilidade humana.
Integração entre órgãos
O presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) e da Associação Brasileira dos Tribunais de Contas dos Municípios (Abracom), conselheiro Nelson Pellegrino, participou da mesa de abertura do evento.
Na cerimônia, o presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Edilson Silva, defendeu a cooperação entre os Tribunais de Contas e o compartilhamento de experiências como instrumentos para o aperfeiçoamento do sistema de controle.
Já o presidente do TCE-SC, Herneus De Nadal, ressaltou o papel das ouvidorias como canais de aproximação entre as instituições públicas e os cidadãos. Para ele, esses mecanismos permitem identificar demandas da sociedade, ampliar a participação social e melhorar a resposta do poder público.
Controle preventivo e participação social
O presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB), Inaldo Araújo, também destacou a necessidade de integração entre as diferentes estruturas de controle. Segundo ele, corregedorias, controles internos e ouvidorias devem contribuir para uma atuação pública orientada pela governança, integridade, participação e transparência.
O presidente do Comitê Organizador do ENCCO 2026 e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE-RN), Antonio Gilberto de Oliveira Jales, defendeu o fortalecimento das ouvidorias como instrumentos de cidadania e controle social.
A programação do encontro também abordou gestão de riscos, tratamento de denúncias, modernização das corregedorias e uso de ferramentas tecnológicas. No segundo dia, representantes dos Tribunais de Contas apresentaram experiências relacionadas à atuação preventiva, sistemas de monitoramento e inteligência artificial.
Com a participação de instituições de controle de todo o país, o ENCCO 2026 encerra nesta sexta-feira (25), reforçando a discussão sobre uma atuação mais integrada, preventiva, transparente e orientada a resultados dos Tribunais de Contas.
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