O eleitorado evangélico continua apresentando uma diferença significativa nas intenções de voto entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Lula da Silva (PT). Na mais recente simulação de segundo turno da Quaest, Flávio aparece com 69% dos votos válidos entre os evangélicos, contra 31% de Lula. O resultado faz parte do levantamento sobre religião e voto para a eleição presidencial de 2026.
O cenário ocorre em um momento de menor mobilização política nas igrejas em comparação com a eleição de 2022. Pesquisadores ouvidos pelo Estadão avaliam que o discurso de que Lula representaria uma ameaça à liberdade religiosa perdeu força, mas outros fatores continuam influenciando o comportamento desse segmento, entre eles o antipetismo e a avaliação da situação econômica.
Segundo Luciana Andrade, coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, Flávio não é necessariamente percebido pelos entrevistados como uma liderança próxima ao universo evangélico. Na avaliação apresentada pela pesquisadora, parte do apoio ao senador está relacionada à identificação com a família Bolsonaro e à rejeição ao PT.
O cientista político Vinicius do Valle, pesquisador do Cebrap, também aponta o antipetismo como um dos fatores associados ao desempenho de Flávio entre os evangélicos. Ele afirma que há sinais de cansaço com a disputa política nas igrejas, embora temas relacionados ao Supremo Tribunal Federal tenham contribuído para mobilizar parte desse eleitorado.
Mudança no comportamento eleitoral
O cenário atual contrasta com o desempenho do PT entre os evangélicos nas primeiras eleições presidenciais dos anos 2000. Segundo a série histórica organizada pela Quaest a partir de dados do Estudo Eleitoral Brasileiro, Lula recebeu 63% dos votos válidos desse segmento em 2002 e manteve maioria entre os evangélicos nas eleições de 2006, 2010 e 2014.
A mudança ocorreu em 2018. Naquele ano, Jair Bolsonaro recebeu 70% dos votos válidos entre os evangélicos, contra 30% de Fernando Haddad. Em 2022, Bolsonaro novamente obteve maioria nesse eleitorado. Para 2026, a pesquisa da Quaest registra 69% para Flávio e 31% para Lula no recorte de segundo turno.
Campanhas buscam ampliar diálogo
O PT tem buscado ampliar o diálogo com lideranças evangélicas por meio de ações territoriais e materiais direcionados ao segmento. A estratégia inclui referências a programas do governo e temas relacionados ao cotidiano das famílias.
Já Flávio tem procurado apoio de lideranças religiosas de diferentes denominações. O senador também conta com a associação política com Jair Bolsonaro e com lideranças do campo conservador.
Apesar das estratégias adotadas pelas duas campanhas, a pesquisa qualitativa citada na reportagem indica que uma parcela dos evangélicos demonstra menor disposição para acompanhar a campanha eleitoral. O comportamento do segmento, que representa uma parcela relevante do eleitorado brasileiro, segue sendo acompanhado pelas pesquisas como um dos recortes importantes da disputa presidencial.
A série histórica da Quaest mostra, portanto, uma mudança no padrão de voto dos evangélicos em relação ao período de 2002 a 2014, quando candidatos petistas obtiveram maioria entre esse grupo. A pesquisa mais recente aponta a manutenção dessa diferença em favor de Flávio no segundo turno de 2026.
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