A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a apostar no chamado voto útil como estratégia para tentar derrotar o presidente Lula da Silva (PT) já no primeiro turno dessas eleições.
Segundo informações de um tracking de uso interno da campanha, o senador teria apresentado vantagem expressiva sobre Lula em uma eventual disputa de segundo turno. A avaliação levou a equipe a intensificar a tentativa de atrair eleitores de outros nomes da direita, especialmente Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado.
A estratégia parte da avaliação de que uma parcela desses eleitores poderia migrar para Flávio para evitar que a disputa avance para uma segunda rodada.
Os levantamentos públicos, porém, mostram uma corrida presidencial ainda competitiva. Na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro, Lula apareceu com 39% no primeiro turno, contra 35% de Flávio. Augusto Cury marcou 6%, enquanto Caiado teve 4%, Renan Santos, 3%, e Romeu Zema, 2%. No segundo turno, Lula registrou 46% e Flávio, 44%, em empate técnico.
Já a BTG/Nexus, divulgada em 8 de setembro, apontou Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno, por 46% a 45%. Entre os evangélicos, a vantagem do senador foi ainda maior, 58% a 31%.
O tracking citado pela campanha também identificou uma contradição considerada relevante pelos estrategistas. Apesar da vantagem atribuída a Flávio em um eventual segundo turno, a maioria dos entrevistados acredita que Lula será reeleito.
Percepção da campanha
Outro ponto identificado no levantamento interno é que uma parcela maior dos eleitores considera que Lula está fazendo a melhor campanha na televisão.
Para a equipe de Flávio, esse dado reforça a necessidade de ampliar a comunicação eleitoral e transformar a vantagem observada entre determinados segmentos em intenção efetiva de voto.
O desafio é conquistar eleitores que hoje apoiam candidatos de direita fora da polarização entre Lula e Flávio. Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado ganharam espaço nas pesquisas recentes, especialmente Cury, que chegou a registrar dois dígitos em levantamentos como o da Quaest.
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