STF mantém sob sigilo investigação que envolve Jaques Wagner no caso Banco Master - 13 NEWS

STF mantém sob sigilo investigação que envolve Jaques Wagner no caso Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Banco Master, após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin. A decisão amplia a transparência sobre parte das investigações, mas mantém sob segredo algumas frentes consideradas sensíveis, entre elas a apuração que envolve o senador Jaques Wagner (PT) e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

A decisão foi tomada na quinta-feira (10) e inclui dois inquéritos, uma reclamação e 11 petições que tramitam no Supremo. Mendonça também determinou o envio das cópias integrais dos autos à Presidência e aos gabinetes dos ministros da Corte.

O ponto que chama atenção na Bahia é justamente a permanência do sigilo sobre a investigação envolvendo Wagner. O senador já aparece entre os principais personagens políticos alcançados pela apuração do caso Master, enquanto documentos anteriores da Polícia Federal revelaram uma relação frequente com Augusto Lima.

74 ligações entre Wagner e ex-sócio do Master

Um dos elementos mais relevantes levantados pela PF são 74 ligações telefônicas entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima.

Os contatos ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025 e totalizaram aproximadamente cinco horas e 30 minutos de conversas. Segundo os investigadores, os dois demonstravam preferência por chamadas telefônicas em vez de mensagens escritas e chegaram a conversar várias vezes no mesmo dia.

A frequência dos contatos chamou a atenção da Polícia Federal, que descreveu a relação como próxima e marcada por confiança pessoal.

O levantamento das ligações foi realizado no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.

Apartamento de R$ 2,5 milhões também está na investigação

Outro ponto envolvendo Wagner e Augusto Lima é um apartamento em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.

A PF apura se o imóvel teria sido utilizado como vantagem indevida relacionada à atuação política do senador. O apartamento fica no Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas da capital baiana.

Wagner confirmou que tratou com Augusto Lima sobre a compra do imóvel, mas negou que tenha recebido patrimônio como propina. Segundo o senador, a negociação teria ocorrido porque ele pretendia ajudar a filha a adquirir o apartamento e posteriormente recomprar o imóvel.

A defesa e o próprio senador também ressaltaram que Wagner não é réu nem foi denunciado por esses fatos.

PF investiga possível atuação política em favor do Master

Os investigadores também analisam se Wagner teria atuado politicamente em assuntos de interesse do Banco Master.

A apuração ganhou força em junho, quando a PF deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero e realizou buscas relacionadas ao senador e a Augusto Lima. Segundo a investigação divulgada pela imprensa, os policiais passaram a examinar possíveis pagamentos, relações empresariais e benefícios envolvendo pessoas próximas ao parlamentar.

Também foram identificados contatos pessoais, convites, viagens e outras aproximações entre Wagner e o empresário.

A PF chegou a investigar uma suposta disponibilização de aeronave para o senador e encontros fora de Brasília. Esses elementos passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.

Por que o sigilo sobre Wagner chama atenção

A manutenção do segredo em torno da investigação sobre Wagner ocorre justamente quando o STF decidiu ampliar a publicidade de outras partes do caso Master.

A decisão de Mendonça ocorreu depois de Fachin solicitar acesso e transparência sobre os procedimentos relacionados ao escândalo. O presidente do Supremo determinou que os autos fossem encaminhados aos demais ministros e informou que o caso deverá ser analisado pelo plenário da Corte em sessão extraordinária marcada para terça-feira (15).

A diferença de tratamento entre os procedimentos também já provocou reação política.

Em setembro, parlamentares governistas haviam solicitado a Fachin que fosse derrubado o sigilo de todas as investigações relacionadas ao Master, incluindo a apuração sobre o filme Dark Horse, que envolve recursos de Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os parlamentares questionaram os critérios utilizados por Mendonça para decidir quais investigações seriam tornadas públicas.

Dark Horse continua sob sigilo

Enquanto documentos relacionados a Vorcaro e a diferentes frentes do caso Master foram liberados, a investigação sobre o filme Dark Horse continua entre os procedimentos que não tiveram o sigilo integralmente derrubado.

O filme ganhou destaque nas investigações depois que vieram a público informações sobre negociações envolvendo Vorcaro e Flávio Bolsonaro para financiar uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

Segundo informações divulgadas anteriormente, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões à produção por meio de um fundo nos Estados Unidos. Também foram divulgadas conversas nas quais Flávio teria negociado valores superiores para o projeto.

O episódio levou parlamentares governistas a cobrar de Fachin maior transparência sobre a investigação.

Caso Master amplia pressão sobre o STF

A decisão de Mendonça ocorre em meio a uma crise institucional que se intensificou nas últimas semanas em torno da condução das investigações do Banco Master.

O caso envolve Daniel Vorcaro, servidores do Banco Central, empresários, políticos e integrantes do próprio Judiciário. A divulgação de mensagens e relatórios da PF também colocou sob escrutínio relações de Vorcaro com autoridades de diferentes campos políticos.

No caso de Jaques Wagner, entretanto, a permanência do sigilo mantém fora do conhecimento público parte importante dos elementos reunidos pelos investigadores.

Isso significa que, apesar da divulgação das 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima, outros documentos relacionados à relação entre o senador baiano e o ex-sócio do Master continuam protegidos por segredo de Justiça.

Wagner nega irregularidades

Jaques Wagner nega ter atuado de forma ilícita em favor do Banco Master e afirma que não recebeu propina da instituição.

Em relação ao apartamento, o senador reconheceu que tratou da negociação com Augusto Lima, mas apresentou uma versão diferente da hipótese investigada pela PF. Segundo Wagner, a operação estava relacionada ao interesse de sua família na aquisição do imóvel.

Augusto Ferreira Lima, por sua vez, também afirma que sempre atuou dentro dos limites da lei.

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