PGR pede arquivamento de relato de Vorcaro sobre ameaças e diz que banqueiro não apresentou provas

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do procedimento aberto a partir do depoimento de Daniel Vorcaro, no qual o ex-dono do Banco Master relatou ter sofrido ameaças, intimidações e pressões durante o período em que esteve preso.

A manifestação foi apresentada nesta quarta-feira (2) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após o depoimento prestado por Vorcaro ao gabinete do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao caso Master. Segundo a PGR, o banqueiro não apresentou informações concretas ou elementos suficientes para justificar a abertura de uma nova frente investigativa.

No documento, Gonet afirma que Vorcaro não teria relatado um fato “concreto ou juridicamente delimitado” capaz de fundamentar providências investigativas próprias. Para a Procuradoria, também não foram apresentados elementos mínimos que conferissem verossimilhança às acusações feitas durante a oitiva.

Depoimento ocorreu sem participação da PF

Vorcaro foi ouvido na quinta-feira (27) por um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, depois de sua defesa solicitar urgência sob a alegação de que o ex-banqueiro estaria sofrendo “graves intimidações”.

A Polícia Federal não participou da audiência. De acordo com o gabinete de Mendonça, a ausência dos investigadores seguiu normas do Conselho Nacional de Justiça relacionadas à proteção da integridade física e psicológica de pessoas ouvidas em situações envolvendo relatos de intimidação. Um representante do Ministério Público Federal acompanhou o depoimento.

O conteúdo integral da oitiva permanece sob sigilo. O gabinete do ministro também informou que questões relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes não foram tratadas durante a audiência.

Vorcaro voltou a falar em delação

Durante o depoimento, o ex-banqueiro também teria renovado sua disposição de colaborar com as investigações. Segundo a revista Veja, Vorcaro afirmou que teria informações a apresentar e reclamou que não estaria sendo ouvido pelas autoridades.

O tema se conecta às tentativas anteriores de Vorcaro de negociar um acordo de colaboração premiada. A PGR afirma que uma proposta anterior já havia sido rejeitada pela Polícia Federal por não apresentar informações inéditas consideradas relevantes para as investigações.

Posteriormente, a própria Procuradoria chegou à mesma conclusão e rejeitou o acordo, apontando, segundo a manifestação, “manifesta debilidade” no conteúdo apresentado pelo ex-banqueiro.

Alegações envolvem diretor da Polícia Federal

O depoimento ocorreu em meio a novas revelações sobre as relações de Vorcaro com autoridades. Relatórios da Polícia Federal obtidos a partir do celular do ex-banqueiro registraram mensagens nas quais aparecem referências ao ministro Alexandre de Moraes, ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Segundo reportagens publicadas nesta quarta-feira, Vorcaro também teria afirmado durante a oitiva que sofreu pressão para não apresentar informações envolvendo Rodrigues em uma eventual colaboração premiada. Essas alegações, porém, foram contestadas pela PGR, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar uma investigação específica sobre as supostas ameaças.

A Polícia Federal, procurada pelo Metrópoles sobre as acusações feitas por Vorcaro, informou que não iria se manifestar.

Pedido ocorre em meio à crise do caso Master

A manifestação de Gonet acontece em um momento de forte tensão institucional em torno das investigações do Banco Master. Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo de documentos que incluem mensagens recuperadas do celular de Vorcaro e determinou o encaminhamento de questões relacionadas ao material para análise do plenário do STF.

Em outra frente, a própria PGR pediu a anulação da investigação relacionada às conversas entre Vorcaro e Moraes. Gonet argumenta que Mendonça teria determinado o aprofundamento da apuração sobre um ministro da Corte sem prévia autorização do plenário.

Assim, o pedido de arquivamento do relato sobre as supostas ameaças e a discussão sobre as mensagens envolvendo autoridades passaram a constituir duas frentes distintas dentro da crise do caso Master.

Por enquanto, a posição da PGR é de que o depoimento de Vorcaro não apresenta elementos suficientes para justificar novas diligências sobre as supostas ameaças. O pedido ainda será analisado pelo ministro André Mendonça, responsável pelo procedimento no Supremo.

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