O candidato a presidente da República Romeu Zema (Novo) afirmou nesta segunda-feira (24) que, se eleito, garantirá a reposição integral da inflação no salário mínimo e nos benefícios previdenciários. A declaração foi dada durante entrevista à Globo, que integra a série de conversas com candidatos ao Palácio do Planalto.
Zema afirmou que não pretende permitir perda do poder de compra dos trabalhadores e aposentados. Segundo ele, além da correção pela inflação, o salário mínimo poderá continuar tendo ganho real caso a economia brasileira apresente crescimento.
“Garanto que ninguém vai ter perda”, afirmou o candidato. A proposta ocorre no mesmo dia em que o governo federal anunciou uma previsão de salário mínimo de R$ 1.741 para 2027, valor que ainda será submetido ao Congresso Nacional dentro do projeto de Orçamento.
Zema promete redução dos juros
Durante a entrevista, o candidato também colocou a redução da taxa básica de juros como uma das prioridades de um eventual governo.
Zema afirmou que pretende aumentar a credibilidade fiscal, combater fraudes e corrupção e melhorar a eficiência da administração pública. Na avaliação dele, essas medidas poderiam permitir uma queda dos juros para aproximadamente 6%.
O candidato estimou que uma redução dessa magnitude poderia representar uma economia de cerca de R$ 800 bilhões por ano para o país.
Candidato defende anistia para condenados pelo 8 de Janeiro
Um dos pontos mais controversos da entrevista foi a defesa de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Zema classificou como “nitidamente político” o julgamento dos envolvidos pelo Supremo Tribunal Federal e afirmou que os responsáveis por vandalismo e depredação devem ser punidos, mas defendeu a possibilidade de anistia ou de revisão dos processos por outro tribunal.
O candidato também declarou confiar nas urnas eletrônicas, embora tenha defendido a possibilidade de aperfeiçoamento do sistema com a adoção do voto impresso como mecanismo de conferência.
Previdência não teria idade mínima
Na área previdenciária, Zema afirmou que não pretende promover, inicialmente, um aumento da idade mínima para aposentadoria.
Segundo o candidato, eventuais mudanças dependeriam de fatores como o aumento da expectativa de vida e a ampliação da formalização do mercado de trabalho.
Ele também afirmou que pretende reduzir despesas públicas, combater fraudes e aumentar a eficiência administrativa antes de discutir alterações mais amplas nas regras previdenciárias.
“Eu não quero o brasileiro trabalhando mais. Eu quero a renda do brasileiro aumentando”, declarou.
Segurança pública e modelo de El Salvador
Zema também voltou a defender medidas adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, no combate à criminalidade.
O candidato afirmou que pretende adaptar ao Brasil iniciativas que considera positivas, principalmente aquelas relacionadas à prisão de criminosos e à redução dos homicídios. Ele, porém, disse ser contrário à suspensão de direitos e afirmou que as medidas precisam respeitar a legislação brasileira.
“Podemos fazer prisões aqui dentro da nossa lei”, afirmou.
Privatizações voltam ao centro do discurso
Outro tema abordado foi a agenda de privatizações. Questionado sobre a dificuldade de vender a Cemig durante seu governo em Minas Gerais, Zema afirmou que sua gestão negociou 118 empresas e participações do Estado.
Ele citou operações envolvendo ativos como a participação na Light, a Companhia Brasileira de Lítio e a privatização da Copasa.
Sobre a Cemig, o candidato reconheceu que a empresa não foi privatizada durante sua administração. Segundo ele, a operação dependia de uma mudança na Constituição estadual e de apoio de três quintos dos deputados estaduais.
Zema afirmou ainda que as empresas estaduais tiveram forte valorização durante sua gestão e atribuiu o resultado a uma administração que, segundo ele, teria sido profissional e sem corrupção.
Candidato rebate críticas sobre dívida de Minas
A dívida pública de Minas Gerais também foi tema da entrevista.
Questionado sobre o aumento do endividamento durante sua gestão, Zema afirmou que recebeu um Estado com problemas fiscais acumulados desde décadas anteriores. Ele disse ter assumido o governo em 2019 com déficit de aproximadamente R$ 11 bilhões e deixado o cargo com superávit de R$ 5 bilhões.
O candidato também afirmou ter destinado recursos para o pagamento de aposentadorias e para compromissos com o governo federal.
A discussão sobre a situação fiscal de Minas Gerais é relevante para a campanha porque Zema utiliza a experiência no Estado como uma das principais credenciais de seu discurso econômico.
Zema diz ser contrário à vacinação obrigatória
Na área da saúde, o candidato reafirmou sua posição contrária à vacinação obrigatória de crianças.
Zema declarou que tomou as vacinas contra a Covid-19 e que recomenda a imunização, mas defendeu que o governo priorize campanhas de conscientização em vez de obrigar famílias a vacinarem seus filhos.
A declaração ocorreu em meio ao debate sobre o avanço de doenças imunopreveníveis e às discussões sobre políticas de vacinação no país.
Candidato promete combate à corrupção
Zema também foi questionado sobre a Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal durante seu governo em Minas Gerais para investigar suspeitas de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro.
O candidato condenou os investigados e afirmou que seu governo tomou providências diante das suspeitas.
Segundo Zema, uma administração pública com centenas de milhares de servidores está sujeita à existência de agentes envolvidos em irregularidades. Ele defendeu investigação, atuação policial e punição dos responsáveis.
Eleição presidencial entra na fase de campanha
A entrevista ocorre no início da campanha eleitoral de 2026, que passou a concentrar as atenções nos principais candidatos à Presidência.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. A Globo programou entrevistas com os candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto da Quaest divulgada em 14 de agosto, com a ordem definida por sorteio entre representantes das legendas.
Ao longo da entrevista, Zema apresentou propostas voltadas principalmente para ajuste fiscal, redução dos juros, privatizações, segurança pública e combate à corrupção, além de posições controversas sobre vacinação obrigatória e anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
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