Assessor de Lula confirma que recebeu R$ 249 mil de lobista investigada pela PF

O ex-chefe de gabinete do presidente Lula da Silva (PT) e atual assessor da campanha à reeleição, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, confirmou nesta terça-feira (4) ter recebido R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no âmbito das apurações sobre as fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em nota divulgada após as primeiras informações sobre o caso, Marcola afirmou que a quantia foi recebida a título de empréstimo pessoal, posteriormente quitado por meio de transferência bancária. Segundo ele, a operação teve natureza estritamente privada e não possui qualquer relação com sua atuação na administração pública.

“Jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil, uma movimentação de natureza estritamente privada”, declarou.

Roberta Luchsinger é apontada nas investigações da Polícia Federal como pessoa próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e é investigada por suposta atuação junto ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, um dos principais alvos da investigação sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Na manifestação, Marcola informou que já constituiu advogado para acompanhar o caso e afirmou que pretende apresentar toda a documentação necessária para comprovar a legalidade da operação financeira.

Além disso, declarou que colocará seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para esclarecer os fatos.

“Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência”, afirmou o assessor de campanha de Lula.

A nota, no entanto, não esclarece por que o empréstimo foi contratado com uma empresária que, posteriormente, passou a ser investigada pela Polícia Federal por suposta atuação de lobby junto ao governo federal, em vez de uma instituição financeira tradicional.

O episódio amplia o desgaste político em torno das investigações derivadas da Operação Sem Desconto, que apura um suposto esquema de fraudes no INSS. Nos últimos dias, o caso ganhou novos desdobramentos com a abertura de investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente da República, incluindo inquéritos que apuram suposto tráfico de influência e outros possíveis crimes.

Segundo informações divulgadas pela revista Veja, Marcola sustenta que a transação foi regular, possui documentação comprobatória e afirma estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Até o momento, não há acusação formal contra o ex-chefe de gabinete de Lula relacionada ao empréstimo.

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