A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou as articulações para tentar reverter a decisão da federação formada por Progressistas e União Brasil de adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial de 2026. O objetivo do núcleo político do pré-candidato é conquistar o apoio formal da legenda, considerada estratégica pelo peso de suas bancadas e pelo tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Segundo interlocutores da campanha, uma das frentes de negociação envolve o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os aliados de Flávio pretendem recorrer ao histórico de proximidade entre Ciro e o ex-presidente Jair Bolsonaro para tentar convencê-lo a rever a posição de independência adotada pela sigla.
Campanha aposta em aproximação política
Entre os argumentos apresentados pelos emissários do PL está a avaliação de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia representar uma mudança no cenário político nacional. A ofensiva conta com o apoio da deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), apontada nos bastidores como um dos nomes cotados para compor a chapa presidencial como candidata a vice-presidente.
Apesar das conversas, dirigentes do Progressistas consideram difícil uma mudança de posição. Integrantes da legenda afirmam que Ciro Nogueira permanece favorável à neutralidade e vê vantagens políticas na manutenção dessa estratégia.
Neutralidade atende estratégia eleitoral do PP
Nos bastidores, lideranças do PP avaliam que a neutralidade fortalece os palanques estaduais e permite que os diretórios regionais construam alianças de acordo com a realidade política de cada estado.
Outro fator considerado relevante é a prioridade dada pelo partido às eleições proporcionais. A direção nacional entende que preservar o fundo eleitoral para campanhas de deputados federais e estaduais pode contribuir para ampliar a representação da federação no Congresso Nacional.
Além disso, interlocutores do partido afirmam que a ausência de alinhamento nacional evita desgastes em estados onde o eleitorado apresenta perfis políticos distintos, especialmente entre Nordeste, Sul e Sudeste.
Relação entre Flávio e Ciro também pesa na decisão
Outro elemento citado por aliados de Ciro Nogueira é o desgaste provocado após a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Segundo pessoas próximas ao presidente do PP, houve insatisfação com a ausência de manifestações públicas de apoio por parte de Flávio Bolsonaro quando Ciro foi alvo de medidas da Polícia Federal. Esse episódio é apontado como um dos fatores que esfriaram as negociações entre as duas legendas.
Republicanos também é alvo das articulações
Paralelamente às conversas com o PP, o núcleo político de Flávio Bolsonaro acompanha os movimentos do Republicanos, partido que também sinaliza uma postura de neutralidade na eleição presidencial.
A estratégia da campanha é ampliar o arco de alianças antes do início oficial da propaganda eleitoral, embora dirigentes das legendas envolvidas afirmem que, até o momento, não há indicação de mudança na posição adotada pela federação PP-União Brasil.
Com a manutenção da neutralidade, a federação preserva autonomia para que seus diretórios estaduais definam os apoios locais, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro segue buscando novos entendimentos para fortalecer sua coligação na disputa pelo Palácio do Planalto.
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