O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (22) um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, considerado um dos principais avanços nas relações entre Washington e Riad nos últimos anos. O pacto estabelece as bases para uma parceria de longo prazo na área de energia nuclear e poderá permitir que o reino saudita enriqueça urânio para abastecer futuros reatores civis, medida que desperta preocupações entre parlamentares norte-americanos e autoridades de Israel.
O acordo foi assinado pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e pelo ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, a iniciativa cria um marco jurídico para uma cooperação avaliada em bilhões de dólares e busca fortalecer objetivos econômicos, energéticos e de não proliferação nuclear.
A expectativa da Casa Branca é que empresas norte-americanas, entre elas a Westinghouse, participem da construção da infraestrutura nuclear saudita, ampliando a presença dos Estados Unidos em um mercado estratégico e reduzindo o espaço para concorrentes como China e Rússia.
Congresso analisará o acordo
Pelas regras da Lei de Energia Atômica dos Estados Unidos, conhecida como “Acordo 123”, o texto será encaminhado ao Congresso, que terá prazo para analisar a proposta e poderá apresentar uma resolução de desaprovação. Apesar das críticas de parte dos parlamentares, a tendência é de aprovação, já que uma eventual rejeição dependeria de maioria suficiente para derrubar um possível veto presidencial.
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo norte-americano não firmará acordos que representem risco de proliferação nuclear.
“Só posso dizer que os Estados Unidos não firmarão nenhum acordo com qualquer país que resulte em risco de proliferação”, declarou.
Críticas sobre fiscalização
O acordo, entretanto, provocou questionamentos porque não adota todas as salvaguardas conhecidas como “padrão ouro”, utilizadas em tratados anteriores firmados pelos Estados Unidos, como o celebrado com os Emirados Árabes Unidos. Especialistas apontam que o texto permite maior flexibilidade para um eventual enriquecimento de urânio em território saudita e reduz algumas exigências de fiscalização internacional.
As preocupações aumentam diante das declarações anteriores do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que afirmou que a Arábia Saudita desenvolveria capacidade nuclear caso o Irã obtivesse armas atômicas.
Contexto regional
O entendimento ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio após os confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Diferentemente das negociações conduzidas durante o governo Joe Biden, a administração Trump desvinculou o acordo nuclear de qualquer exigência para que a Arábia Saudita reconheça diplomaticamente Israel.
Além da cooperação energética, Washington e Riad também discutem iniciativas na área de defesa e segurança, fortalecendo a parceria estratégica entre os dois países em um momento de instabilidade regional.
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