Pesquisa Datafolha acende alerta no PT em São Paulo

A nova pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (5) ampliou a preocupação da equipe do presidente Lula da Silva (PT) com o cenário eleitoral em São Paulo. O levantamento aponta o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, com vantagem sobre o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), principal nome apoiado pelo presidente no estado.

Segundo o Datafolha, Tarcísio registra 46% das intenções de voto, enquanto Haddad aparece com 30%. Nos votos válidos, critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o resultado das eleições, o governador alcança 52%, contra 34% do petista. Embora esse percentual seja suficiente para uma vitória em primeiro turno, a margem de erro da pesquisa e a distância até a eleição impedem afirmar que o resultado já esteja definido.

Em um eventual segundo turno, o levantamento mostra Tarcísio com 53% das intenções de voto, contra 37% de Haddad.

Maior colégio eleitoral preocupa o Planalto

O desempenho em São Paulo é considerado estratégico para o projeto de reeleição de Lula. O estado concentra cerca de 22% do eleitorado brasileiro e costuma exercer forte influência sobre o resultado da disputa presidencial.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que uma campanha competitiva de Haddad ajudaria a manter mobilizado o eleitorado paulista durante todo o processo eleitoral, fortalecendo o palanque do presidente na reta final da disputa nacional. Uma eventual definição da eleição estadual ainda no primeiro turno reduziria esse espaço político.

Histórico reforça importância de São Paulo

A preocupação do PT é sustentada pelo histórico recente das eleições. Em 2018, Jair Bolsonaro construiu em São Paulo uma ampla vantagem sobre Fernando Haddad, diferença considerada decisiva para o resultado nacional. Já em 2022, essa distância diminuiu, contribuindo para a vitória de Lula na disputa presidencial, mesmo com a derrota de Haddad para Tarcísio no governo paulista.

Com esse cenário em mente, Lula articulou uma ampla composição política em São Paulo. Além de apoiar a candidatura de Haddad, o presidente reuniu aliados como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ex-governador Márcio França (PSB-SP) e as ministras Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP), que disputarão vagas ao Senado.

Desistências podem favorecer Tarcísio

Outro fator observado pelas campanhas é a saída de pré-candidatos do campo da centro-direita. As desistências de Paulo Serra (PSDB-SP) e Kim Kataguiri (Missão-SP) tendem a concentrar parte desse eleitorado em torno da candidatura de Tarcísio, ampliando seu potencial de crescimento nas próximas pesquisas.

Para o PT, o levantamento reforça a necessidade de fortalecer a campanha em São Paulo, considerado o principal campo de batalha eleitoral do país. A expectativa da legenda é reduzir a vantagem do governador e manter uma disputa competitiva até o fim do calendário eleitoral, preservando um palanque forte para a campanha presidencial de Lula.

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