As mulheres já comandam a produção agropecuária em 19% das propriedades rurais brasileiras, o equivalente a cerca de 30 milhões de hectares, ou 8,5% da área explorada no campo. Apesar do avanço da presença feminina na gestão rural, o estudo “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro” revela que elas ainda enfrentam desigualdade salarial e barreiras para ocupar posições de liderança em diversas cadeias produtivas.
O levantamento, elaborado pela Fundação IDH com base em pesquisas sobre a participação feminina no agronegócio brasileiro ao longo do século 21, mostra que a atuação das mulheres está concentrada principalmente em pequenas propriedades, de até 20 hectares, ligadas à agricultura familiar.
Segundo o estudo, apenas 17,4% das mulheres que trabalham no setor recebem remuneração superior a três salários mínimos, percentual bem inferior aos 29,8% registrados entre os homens, evidenciando a diferença de valorização da mão de obra no campo.
Pecuária lidera participação feminina
Entre as principais cadeias produtivas analisadas, a pecuária apresenta o maior índice de liderança feminina. Em 33% das propriedades dedicadas à atividade, mulheres estão à frente da produção.
Na cultura do cacau, elas administram 22% das propriedades, com maior concentração em áreas familiares localizadas nos estados da Bahia e do Pará. Já na produção de citros, que inclui laranja, limão, tangerina, lima ácida e toranja, a gestão feminina representa 18% dos estabelecimentos.
Na soja, principal cultura agrícola do país em valor de produção, o estudo aponta que as mulheres correspondem a 17% da força de trabalho na produção primária. A pesquisa destaca que persistem barreiras culturais que dificultam o acesso feminino aos cargos de comando, incluindo a pressão para conciliar as responsabilidades domésticas com a atividade profissional.
Café e cana ainda apresentam baixa presença feminina
O levantamento também mostra que a cafeicultura registra apenas 13,2% de propriedades administradas por mulheres. No entanto, nessas fazendas, a participação feminina na mão de obra chega a 43%, percentual significativamente superior aos 24% observados em propriedades comandadas por homens.
Na cadeia da cana-de-açúcar, a presença feminina é ainda mais reduzida. As mulheres representam apenas 8,8% da força de trabalho e ocupam somente 5,4% dos cargos de liderança.
Inovação e sustentabilidade no campo
Além dos desafios relacionados à remuneração e ao acesso aos cargos de gestão, o estudo destaca o protagonismo feminino na adoção de práticas inovadoras no agronegócio.
De acordo com a Fundação IDH, produtoras rurais costumam priorizar ações voltadas à responsabilidade social, ao uso de tecnologias sustentáveis e à conservação do solo, contribuindo para o fortalecimento da produção agrícola e para a adoção de modelos mais sustentáveis de desenvolvimento no campo.
A Fundação IDH, sediada em Utrecht, na Holanda, atua no Brasil em projetos voltados ao fortalecimento de cadeias produtivas rurais em estados como Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, promovendo iniciativas ligadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento do agronegócio.
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