Direita avança na América do Sul, mas esquerda ainda concentra maioria do PIB do continente

O cenário político da América do Sul passa por uma reconfiguração com avanço de governos de direita em diversos países, mas ainda com predominância econômica de administrações de esquerda, que concentram a maior parte do Produto Interno Bruto (PIB) do continente.

De acordo com levantamentos recentes sobre o quadro político regional, a direita ampliou sua presença e passou a governar sete países sul-americanos, impulsionada por vitórias eleitorais recentes e mudanças no comando de nações estratégicas. Entre os movimentos mais recentes estão as projeções de vitória de Keiko Fujimori no Peru, da Fuerza Popular, e de Abelardo de la Espriella na Colômbia, o que reforça a tendência de expansão desse campo político.

Apesar do avanço, os governos de esquerda ainda concentram maior peso econômico. Segundo os dados analisados, os países administrados por lideranças de esquerda respondem por cerca de 54,6% do PIB da América do Sul, somando aproximadamente US$ 2,4 trilhões.

Já os governos de direita administram economias que totalizam cerca de US$ 2,2 trilhões, o equivalente a 45,4% do PIB continental. Mesmo com a expansão territorial, o bloco conservador ainda fica atrás no indicador econômico.

Brasil concentra maior peso econômico do bloco de esquerda

O Brasil segue como peça central no equilíbrio político e econômico do continente. Com um PIB estimado em US$ 2,28 trilhões, o país é o maior da América do Sul em termos econômicos e influencia diretamente a predominância do campo político de esquerda no recorte continental.

Além disso, o bloco de países governados por lideranças de esquerda também apresenta vantagem populacional, reunindo cerca de 246,4 milhões de habitantes, enquanto os países sob governos de direita somam aproximadamente 191,7 milhões.

Virada política e instabilidade em países-chave

A recente guinada à direita foi impulsionada por uma série de vitórias eleitorais em diferentes países sul-americanos, incluindo Argentina com Javier Milei, Equador com Daniel Noboa, Bolívia com Rodrigo Paz e Chile com José Antonio Kast, que consolidaram uma nova correlação de forças na região.

No Peru, o cenário político tem sido marcado por instabilidade institucional, com sucessivas trocas de governo nos últimos anos. Já na Colômbia, a ascensão de novas lideranças reforça a disputa ideológica no continente.

Há cerca de uma década, o panorama era inverso. Em 2015, partidos de esquerda e centro-esquerda controlavam a maioria dos governos sul-americanos, enquanto a direita ocupava uma parcela menor do poder regional.

A atual ‘arrumação’ mostra um movimento de alternância, ainda em consolidação, especialmente diante do papel central exercido pelo Brasil no equilíbrio entre os blocos. Por isso, o presidente eleito em outubro é tão importante para ambos os lados. 

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